Gramática de espanhol
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A1 (40)
Os pronomes de sujeito indicam quem faz algo ou de quem se fala: yo, tú, él, ella, usted, nosotros/as, vosotros/as, ellos, ellas, ustedes. Em espanhol, muitas vezes não é preciso dizê-los, porque o verbo e o contexto já identificam a pessoa: Hablo español significa «Falo espanhol». Para falar com alguém, a escolha entre tú e usted, ou entre vosotros e ustedes, depende da relação entre as pessoas e da região.
Em espanhol, os substantivos (palavras que dão nome a pessoas, coisas, lugares ou ideias) têm género masculino ou feminino: el libro («o livro») e la casa («a casa»). As palavras terminadas em -o costumam ser masculinas e as terminadas em -a, femininas, mas há exceções frequentes: el problema, el día, la mano e la foto. Aprender cada palavra com o artigo, isto é, com el ou la, é mais seguro do que confiar apenas na terminação ou no género em português.
Em espanhol, a maioria das palavras terminadas em vogal forma o plural com -s, como libro → libros (livro → livros); muitas palavras terminadas em consoante recebem -es, como ciudad → ciudades (cidade → cidades). Quando a palavra termina em -z, troca-se essa letra por -c antes de acrescentar -es: pez → peces (peixe → peixes). Também é preciso verificar o acento escrito: examen → exámenes (exame → exames).
Os artigos definidos em espanhol são el, la, los e las, correspondentes a o, a, os e as em português. A escolha depende do género — masculino ou feminino — e do número — singular ou plural — do nome que acompanham. Antes de um nome feminino singular que começa por a tónico, isto é, pronunciado com mais força, usa-se normalmente el: el agua fría — «a água fria»; a palavra continua a ser feminina.
Os artigos indefinidos espanhóis são un, una, unos, unas e correspondem, em muitos contextos, a um, uma, uns, umas. A forma depende do género (masculino ou feminino) e do número (singular ou plural) da palavra que acompanha: un libro — «um livro»; una casa — «uma casa». Para indicar simplesmente uma profissão ou nacionalidade depois de ser, normalmente não se usa artigo: Soy médico — «Sou médico»; Soy portuguesa — «Sou portuguesa».
O presente de ser em espanhol é soy, eres, es, somos, sois, son. Usa-se para identificar pessoas e coisas, indicar origem, profissão, características, posse e horas: Soy de Madrid significa «Sou de Madrid». Como em português, existe também estar, mas a escolha nem sempre coincide nas duas línguas; não basta pensar em «permanente» e «temporário».
O presente de estar em espanhol é estoy, estás, está, estamos, estáis, están. Usa-se para indicar onde alguém ou alguma coisa se encontra e em que estado está: Estoy en casa significa «Estou em casa»; Estamos cansados significa «Estamos cansados». A semelhança com o português ajuda bastante, mas é preciso aprender as formas espanholas e não confundir localização com a indicação do lugar de um evento.
Em espanhol, ser apresenta identidade e características; estar indica estados, resultados e a localização de pessoas ou coisas. A distinção lembra a do português, mas há diferenças importantes: La fiesta es en mi casa significa «A festa é na minha casa», enquanto Mi casa está en el centro significa «A minha casa fica no centro». Não escolha apenas pela duração: um estado pode ser definitivo e continuar a exigir estar.
Tener corresponde muitas vezes a ter: Tengo dos hermanos significa «Tenho dois irmãos». No presente, as formas são tengo, tienes, tiene, tenemos, tenéis, tienen. Também se usa para idade e sensações, como em Tengo veinte años («Tenho vinte anos») e Tengo hambre («Tenho fome»); com que + verbo, expressa necessidade: Tenemos que irnos («Temos de ir embora»).
Para formar o presente de um verbo regular em -ar, retire -ar e acrescente -o, -as, -a, -amos, -áis, -an, conforme quem pratica a ação. Assim, hablar dá hablo, hablas, habla, hablamos, habláis, hablan. A lógica é muito próxima da do português, mas é preciso aprender as formas de tratamento espanholas e não transportar automaticamente a conjugação portuguesa.
No presente, os verbos regulares espanhóis em -er perdem essa terminação e recebem -o, -es, -e, -emos, -éis, -en: como, comes, come, comemos, coméis, comen. O padrão lembra muito o português, mas exige atenção a vosotros coméis e ustedes comen. Para começar, basta aprender esse modelo e aplicá-lo a verbos como comer, beber, leer e correr.
Para formar o presente de um verbo regular espanhol terminado em -ir, retire -ir e acrescente -o, -es, -e, -imos, -ís, -en, conforme a pessoa. Assim, vivir («viver/morar») dá vivo, vives, vive, vivimos, vivís, viven. O padrão vale para verbos como escribir («escrever»), abrir («abrir») e subir («subir»), mas não para todos os verbos terminados em -ir.
No presente, o verbo espanhol ir tem as formas voy, vas, va, vamos, vais, van. Para indicar um destino, usa-se normalmente ir a: Voy al trabajo — «Vou ao trabalho». Para falar de uma ação futura, usa-se ir a + infinitivo (a forma do verbo que aparece no dicionário): Voy a comer — «Vou comer»; ao contrário do português, o espanhol mantém esse a.
Hacer corresponde muitas vezes ao português fazer: Hago deporte significa «Pratico desporto» ou «Faço atividade física». No presente, as formas são hago, haces, hace, hacemos, hacéis, hacen; a forma que foge ao padrão dos verbos em -er é hago. Para falar do tempo, usa-se hace sem indicar uma pessoa: Hace calor hoy — «Hoje está calor».
Em espanhol, poder + infinitivo expressa capacidade, permissão ou possibilidade: Puedo ayudarte significa «Posso ajudar você». O infinitivo é a forma do verbo sem indicação de pessoa, como hablar, comer e vivir. No presente, as formas são puedo, puedes, puede, podemos, podéis, pueden: o o muda para ue, exceto em nosotros e vosotros.
Em espanhol, querer expressa vontade ou afeto: Quiero un café significa «Quero um café» e Te quiero pode significar «Amo-te» ou «Eu te amo». No presente, as formas são quiero, quieres, quiere, queremos, queréis, quieren: o e passa a ie, exceto em queremos e queréis. Para dizer o que alguém quer fazer, use querer + infinitivo, sem preposição: Queremos ir al cine — «Queremos ir ao cinema».
No presente do indicativo (o tempo usado para falar de hábitos e situações atuais), certos verbos espanhóis trocam e por ie na parte pronunciada com mais força: pensar → pienso. A mudança aparece em yo, tú, él/ella/usted e ellos/ellas/ustedes, mas não em nosotros nem em vosotros: pienso, piensas, piensa, pensamos, pensáis, piensan. As terminações continuam a ser as habituais de cada grupo; é o interior do verbo que muda.
No presente, alguns verbos espanhóis trocam o o do radical (a parte que contém o sentido principal do verbo) por ue quando essa parte recebe a força da pronúncia: dormir → duermo, volver → vuelvo. A mudança aparece nas formas de yo, tú, él/ella/usted e ellos/ellas/ustedes, mas não nas de nosotros e vosotros: dormimos, dormís. As terminações continuam a seguir o grupo do verbo: -ar, -er ou -ir.
Em espanhol, verbos como llamarse, levantarse e ducharse usam um pronome que acompanha a pessoa de quem se fala: me, te, se, nos, os, se. No presente, esse pronome fica antes do verbo: Me levanto a las siete — «Levanto-me às sete». O se do infinitivo não é fixo: para falar de si próprio, diga me llamo, não se llamo.
Em espanhol, hay indica que alguma coisa existe ou está disponível: Hay un problema significa «Há um problema». A forma não muda quando há várias coisas: Hay muchas personas — «Há muitas pessoas». Para negar, use no hay; para perguntar, use ¿Hay…?.
Em espanhol, a maneira mais simples de negar é colocar no antes do verbo: No entiendo significa «Não entendo». Se palavras como nada, nadie ou nunca vierem depois do verbo, normalmente mantém-se o no: No veo a nadie, «Não vejo ninguém». Se a palavra negativa vier antes do verbo, ela própria estabelece a negação: Nadie viene, «Ninguém vem».
Em espanhol, o adjetivo (palavra que descreve uma pessoa, coisa ou ideia) concorda com o substantivo (palavra que dá nome a essa pessoa, coisa ou ideia). Os terminados em -o costumam ter quatro formas, como alto, alta, altos, altas; os terminados em -e geralmente só mudam no plural, como inteligente, inteligentes. Outros, como joven e azul, também têm a mesma forma para masculino e feminino, mas fazem plural: jóvenes e azules. Na descrição mais simples, o adjetivo vem depois do substantivo: una ciudad grande — “uma cidade grande”.
Em espanhol, o adjetivo (palavra que atribui uma característica) costuma vir depois do substantivo (palavra que dá nome a uma pessoa, coisa ou ideia): una casa blanca, «uma casa branca». Alguns adjetivos aparecem frequentemente antes, sobretudo para apresentar uma avaliação: una buena idea, «uma boa ideia». A posição pode mudar o sentido: un hombre grande é um homem de tamanho grande; un gran hombre é um homem admirável.
Em espanhol, mi, tu, su, nuestro e vuestro aparecem antes de um nome para indicar a quem algo pertence ou com quem está relacionado: mi libro significa «o meu livro». Todos variam em número, mas apenas nuestro e vuestro variam também em género. A regra mais importante para quem fala português é não acrescentar o artigo: diz-se mi casa, não la mi casa.
Em espanhol, este indica proximidade de quem fala, ese costuma apontar para algo perto de quem ouve ou a alguma distância, e aquel marca distância de ambos. As formas mudam conforme o masculino ou feminino e o singular ou plural: este libro, esa casa, aquellos edificios. A semelhança com este, esse e aquele do português ajuda, mas é preciso aprender a grafia espanhola e não usar esto, eso, aquello antes de nomes.
Em espanhol, en indica onde alguém ou alguma coisa está, a indica frequentemente o destino e de indica a origem: Estoy en casa — «Estou em casa»; Voy a casa — «Vou para casa»; Vengo de casa — «Venho de casa». Para situar algo em relação a outra coisa, use expressões como debajo de, delante de e detrás de: El gato está debajo de la mesa — «O gato está debaixo da mesa». Antes de el, escrevem-se as contrações al e del.
Em espanhol, usa-se a antes do objeto direto quando ele designa uma pessoa concreta: Veo a María significa «Vejo a María». Esse a também aparece com palavras como alguien e nadie quando se referem a pessoas: No veo a nadie — «Não vejo ninguém». Com coisas, normalmente não se usa: Veo la casa — «Vejo a casa».
Em espanhol, a + el forma al e de + el forma del: Voy al cine significa «Vou ao cinema» e Vengo del trabajo, «Venho do trabalho». Essas contrações são obrigatórias quando as duas palavras aparecem juntas e el é o artigo comum. Não se faz essa junção com la, los, las, com o pronome él («ele») nem com El quando faz parte de um nome próprio, como em de El Salvador.
Em espanhol, as perguntas diretas abrem com ¿ e fecham com ?: ¿Dónde vives? — «Onde você mora?». Para pedir uma informação, use qué, quién, dónde, cuándo, cómo ou por qué, sempre com acento quando têm sentido interrogativo. Para perguntar algo que admite «sim» ou «não», muitas vezes basta mudar a entonação: Estudias español. — «Você estuda espanhol.»; ¿Estudias español? — «Você estuda espanhol?».
Em espanhol, cuánto, cuánta, cuántos e cuántas perguntam por uma quantidade e acompanham o masculino ou feminino e o singular ou plural daquilo que se conta ou mede. Cuál e cuáles pedem a identificação ou a escolha de algo: ¿Cuál prefieres? significa «Qual prefere?». Para perguntar um preço, use ¿Cuánto cuesta?; antes de um nome de coisa ou pessoa, a escolha mais geral para perguntar «qual?» é qué: ¿Qué libro prefieres? — «Qual livro prefere?».
Os números cardinais indicam quantidade: uno, dos, tres correspondem a «um, dois, três». Em espanhol, os números de 16 a 29 escrevem-se numa só palavra, como dieciséis e veintiuno; de 31 a 99, ligam-se a dezena e a unidade com y, como em treinta y dos. Antes de um nome masculino, uno passa a un: un libro, veintiún libros. Para exatamente 100, usa-se cien; quando se acrescentam dezenas ou unidades, usa-se ciento: ciento dos.
Os números ordinais indicam posição numa sequência: primero, segundo, tercero, cuarto, quinto, sexto, séptimo, octavo, noveno, décimo. Como em português, variam em género e número: la primera vez significa «a primeira vez» e los primeros días, «os primeiros dias». A diferença que merece mais atenção é esta: antes de um nome masculino no singular, primero e tercero perdem o -o: el primer día, «o primeiro dia», e el tercer piso, «o terceiro andar».
Para dizer as horas em espanhol, use Es la una para uma hora e Son las dos, las tres… para as restantes; para marcar um horário, use a la una ou a las dos. Os dias da semana e os meses escrevem-se com inicial minúscula: el lunes, el 15 de agosto. Para distinguir uma ocasião de um hábito, compare el lunes («na segunda-feira», numa ocasião determinada) com los lunes («às segundas-feiras»).
Em espanhol, siempre, a menudo, a veces, raramente e nunca indicam com que frequência algo acontece; hoy, mañana, ayer e ahora situam o acontecimento no tempo. Para começar, use construções como Siempre estudio por la noche — «Estudo sempre à noite» — e Hoy trabajo — «Hoje trabalho». Com nunca, a negação depende da posição: Nunca como carne e No como carne nunca significam «Nunca como carne».
Os advérbios de lugar indicam onde alguém ou alguma coisa está: aquí significa «aqui», ahí costuma apontar para «aí», perto de quem ouve, e allí indica «ali», mais afastado. Cerca/lejos, dentro/fuera e arriba/abajo exprimem proximidade, interior e exterior, ou posição vertical. Muitos funcionam sozinhos; para indicar uma referência concreta, usam-se construções como cerca de la estación — «perto da estação».
Em espanhol, muy intensifica uma qualidade ou um modo: muy bonito (muito bonito), muy bien (muito bem). Mucho e poco indicam quantidade: variam diante de nomes, como em muchos amigos (muitos amigos) e poca agua (pouca água), mas ficam invariáveis quando se referem a uma ação, como em comes mucho (você come muito). Para quem fala português, o ponto principal é aprender a separar os dois usos que a palavra «muito» reúne: muy e mucho.
Os pronomes de objeto direto substituem a pessoa ou a coisa diretamente envolvida numa ação: Compro el pan → Lo compro — «Compro o pão → Compro-o». As formas são me, te, lo, la, nos, os, los, las e, como regra inicial, ficam antes do verbo: Te llamo mañana — «Ligo para ti amanhã». Também podem ficar unidos ao infinitivo ou ao gerúndio e devem unir-se às ordens afirmativas: verlo, mirándolo, míralo — «vê-lo», «olhando para ele», «olha para ele».
Os pronomes me, te, le, nos, os, les indicam a pessoa a quem algo é dado, dito, enviado ou destinado: Te escribo una carta significa «Escrevo uma carta para ti/para você». Em frases com um verbo conjugado, ficam normalmente antes dele: Le doy el libro a María — «Dou o livro à María». Le serve para um destinatário, masculino ou feminino; les, para vários.
Em espanhol, me gusta la pizza significa «gosto de pizza», mas a construção funciona como «a pizza agrada-me». Use gusta com uma coisa no singular ou uma atividade, e gustan com coisas no plural: me gustan las películas, «gosto de filmes». As formas me, te, le, nos, os, les indicam quem gosta; não são elas que determinam a escolha entre gusta e gustan.
Em espanhol, y acrescenta informação, o apresenta alternativas, pero introduz um contraste, sino corrige uma ideia negada, porque dá uma razão e así que apresenta uma consequência. Por razões de pronúncia, y passa a e antes do som inicial de i, e o passa a u antes do som inicial de o: español e inglés («espanhol e inglês»), siete u ocho («sete ou oito»). Para quem fala português, a atenção principal deve estar na escolha entre pero e sino, que podem corresponder a «mas», embora não sejam intercambiáveis.
A2 (13)
O pretérito indefinido apresenta uma ação ou situação passada como um acontecimento completo: Ayer comí pizza — «Ontem comi pizza». Corresponde muitas vezes ao pretérito perfeito simples do português: «falei», «comi», «parti». Nos verbos regulares, retiram-se -ar, -er ou -ir e acrescentam-se terminações próprias, como em hablé, comí e viví.
No pretérito indefinido, usado para apresentar acontecimentos passados como concluídos, vários verbos frequentes têm formas próprias: tener → tuve («ter → tive»), hacer → hice («fazer → fiz»), decir → dije («dizer → disse»). Muitos seguem as mesmas terminações, sem acento gráfico: -e, -iste, -o, -imos, -isteis, -ieron; depois de uma base terminada em j, aparece -eron. Os verbos ser e ir partilham uma conjugação diferente: fui, fuiste, fue, fuimos, fuisteis, fueron.
O pretérito perfecto compuesto forma-se com he, has, ha, hemos, habéis, han + particípio, a forma do verbo que aparece em hablado e comido. Apresenta uma ação passada ligada ao presente: Hoy he comido tarde significa «Hoje comi tarde». Não equivale automaticamente ao português «tenho comido»: em espanhol, pode indicar uma única ação já concluída, e a preferência por este tempo varia conforme a região.
Em espanhol, alguns verbos têm um particípio (forma como «feito» ou «escrito», usada para construir tempos verbais e descrever resultados) que não segue o modelo regular: hacer → hecho, escribir → escrito, ver → visto. Com haber, o particípio não muda: He abierto las ventanas — «Abri as janelas». Quando descreve um estado com estar, concorda com aquilo que descreve: Las ventanas están abiertas — «As janelas estão abertas».
O pretérito imperfeito apresenta hábitos, situações e ações em curso no passado, sem destacar o seu início ou fim: Antes vivíamos en Madrid — “Antes morávamos em Madrid”. Nos verbos em -ar, as terminações começam por -aba; nos verbos em -er e -ir, por -ía. Os três verbos irregulares fundamentais são ser → era, ir → iba e ver → veía.
Em espanhol, o futuro próximo forma-se com ir no presente + a + infinitivo, a forma do verbo que aparece no dicionário: Voy a comer significa «Vou comer». A construção serve para anunciar planos, intenções e acontecimentos previstos, como em Va a llover («Vai chover»). Ao contrário do português habitual, o espanhol exige o a entre os dois verbos; além disso, o acontecimento não precisa de estar muito próximo no tempo.
Em espanhol, estar no presente + gerúndio apresenta uma ação em andamento: Estoy comiendo significa «Estou comendo» ou «Estou a comer». O gerúndio, a forma verbal terminada normalmente em -ando ou -iendo, não muda conforme a pessoa: estoy estudiando, estamos estudiando. Só estar muda; em alguns verbos, é preciso aprender formas como durmiendo, pidiendo e leyendo.
Em espanhol, para costuma indicar o objetivo, o destinatário, o destino ou o prazo; por costuma indicar a causa, o percurso, o meio, a duração ou a troca. Compare Estudio para aprender — «Estudo para aprender» — com Estudio por interés — «Estudo por interesse». O português ajuda bastante, mas nem sempre a mesma preposição serve nas duas línguas: «Obrigado pela ajuda» corresponde a Gracias por tu ayuda.
Em espanhol, usamos más… que e menos… que para indicar diferença, e tan… como para indicar igualdade de uma característica: más caro que significa «mais caro que»; tan caro como, «tão caro como». Para comparar quantidades, usamos tanto, tanta, tantos, tantas… como: tantas preguntas como tú significa «tantas perguntas como tu». As formas mejor, peor, mayor e menor merecem atenção especial: exprimem comparações sem precisar de más.
O imperativo afirmativo serve para pedir ou indicar uma ação: Habla más despacio significa «Fala mais devagar». Com tú, a forma regular coincide com a de él/ella no presente: habla, come, escribe; com usted, nosotros e ustedes, usam-se formas do presente do subjuntivo, como hable, hablemos, hablen. Com vosotros, troca-se o -r final por -d: hablad, comed, escribid. Os pronomes ficam unidos ao fim do verbo: Escríbeme — «Escreve-me».
Em espanhol, que liga uma pessoa ou coisa a uma informação sobre ela: El libro que leo es bueno — «O livro que leio é bom». Quien refere-se a pessoas e, nas construções básicas, aparece depois de uma preposição: La chica con quien hablé — «A rapariga com quem falei». Que não muda; quien tem o plural quienes, mas não tem formas diferentes para masculino e feminino.
Em espanhol, quando dois pronomes substituem aquilo que se dá, diz ou envia e a pessoa que recebe, a ordem é destinatário + coisa: Te lo doy significa «Dou isso a você». Antes de lo, la, los, las, os pronomes le e les passam a se: Se lo expliqué, «Expliquei isso a ele/ela». Os dois ficam juntos: Te lo voy a dar ou Voy a dártelo, ambos com o sentido de «Vou dar isso a você».
No passado em espanhol, o pronome de um verbo reflexivo continua antes do verbo conjugado: me levanté («levantei-me») e me he levantado («levantei-me», num período ligado ao presente). Nos tempos compostos, usa-se haber, e a forma como levantado não muda para acompanhar uma pessoa feminina ou várias pessoas: ellas se han levantado. A posição do pronome não segue todas as possibilidades do português: em espanhol corrente, diz-se me levanté, não levantéme.
B1 (15)
O futuro simples espanhol forma-se juntando ao infinitivo (a forma de dicionário, como hablar) as terminações -é, -ás, -á, -emos, -éis, -án: hablaré significa «falarei» ou «vou falar». As mesmas terminações servem para todos os verbos, mas alguns mudam de base: tener → tendré, hacer → haré. Além de acontecimentos futuros, esse tempo pode indicar uma suposição sobre o presente: Estará en casa pode significar «Deve estar em casa».
O condicional simples espanhol forma-se com o infinitivo (a forma de dicionário, como hablar) e as terminações -ía, -ías, -ía, -íamos, -íais, -ían: hablaría significa «falaria». Serve para apresentar hipóteses, fazer pedidos corteses e indicar algo que era futuro num momento passado. Os verbos irregulares usam as mesmas bases do futuro simples: tener → tendría, hacer → haría, decir → diría.
O pretérito indefinido apresenta um acontecimento passado como um todo delimitado: Ayer llamé a Ana — «Ontem telefonei à Ana». O pretérito imperfecto mostra uma situação por dentro, sem destacar os seus limites: Antes llamaba a Ana todos los días — «Antes telefonava à Ana todos os dias». Numa narrativa, é frequente o imperfeito montar o cenário e o indefinido contar o que aconteceu: Llovía cuando salí — «Chovia quando saí».
O presente do subjuntivo é a forma verbal usada em frases como Quiero que vengas — «Quero que venhas» — para expressar desejos, dúvidas, emoções e pedidos. Para formar a maioria dos verbos, parte-se da forma yo do presente do indicativo, retira-se o -o e acrescentam-se as terminações -e, -es, -e, -emos, -éis, -en aos verbos em -ar, ou -a, -as, -a, -amos, -áis, -an aos verbos em -er/-ir. A semelhança com o português ajuda, mas há uma diferença essencial: «quando chegares» corresponde a cuando llegues, com presente do subjuntivo em espanhol.
Em espanhol, expressões como quiero que, es necesario que, ojalá e para que normalmente pedem o subjuntivo, o modo verbal usado para apresentar desejos, avaliações e situações não afirmadas como fatos. Com cuando, usa-se o subjuntivo para um acontecimento futuro ainda não realizado: Cuando llegues, llámame — “Quando chegares, liga-me”. A semelhança com o português ajuda, mas há uma diferença decisiva: nesse caso, o espanhol usa o presente do subjuntivo, não o futuro do subjuntivo português.
O pretérito pluscuamperfecto espanhol indica que algo já tinha acontecido antes de outro momento passado: Cuando llegué, Ana ya había salido — «Quando cheguei, a Ana já tinha saído». Forma-se com había, habías, había, habíamos, habíais, habían + particípio, a forma do verbo que aparece em combinações como «tinha comido». Para quem fala português, a comparação mais direta é com tinha feito, mas em espanhol o verbo que acompanha o particípio é haber, não tener.
Em espanhol, el/la/los/las más ou menos + adjetivo destaca alguém ou alguma coisa dentro de um grupo: Es el más alto significa «É o mais alto». Algumas palavras têm formas próprias: el mejor, el peor, el mayor e el menor. Para indicar uma qualidade muito intensa, sem comparar com um grupo, use muy + adjetivo ou -ísimo/-ísima: Es guapísimo significa «É muitíssimo bonito».
Em espanhol, donde liga uma informação a um lugar: La ciudad donde vivo — «A cidade onde moro». El cual, la cual, los cuales, las cuales retomam pessoas ou coisas e são especialmente úteis depois de preposições, como em el problema del cual hablamos — «o problema do qual falámos». Lo que significa frequentemente «o que» ou «aquilo que»; lo cual retoma uma ideia já expressa, como o português «o que» em «Chegou cedo, o que nos surpreendeu».
A voz passiva coloca em destaque quem ou o que recebe uma ação: La casa fue vendida significa «A casa foi vendida». Em espanhol, forma-se com ser + particípio, uma forma do verbo como vendido, que concorda com aquilo de que se fala; quem realiza a ação pode aparecer depois de por. Quando não interessa identificar essa pessoa, é muito comum usar se + verbo: Se venden coches — «Vendem-se carros».
Para pedir a alguém que não faça alguma coisa, o espanhol usa no + presente do subjuntivo: ¡No hables! («Não fales!»), ¡No comas eso! («Não comas isso!»). O subjuntivo é um modo verbal que, aqui, apresenta uma ação que se pretende evitar, e não um facto que se está a descrever. Se houver pronomes como lo, me ou te, ficam antes do verbo: ¡No lo hagas! («Não faças isso!»).
O discurso indireto transmite o que alguém disse sem repetir exatamente suas palavras: Dice que viene significa “Ele diz que vem”. Para afirmações, use que; para perguntas cuja resposta seria sim ou não, use si. Quando o verbo que introduz o relato está no passado, os tempos da fala geralmente se ajustam àquele momento: Dijo que vendría — “Ele disse que viria”.
Em espanhol, hay que + infinitivo exprime uma obrigação geral: Hay que estudiar más significa «É preciso estudar mais». Se puede + infinitivo indica possibilidade ou permissão, e es necesario/importante/posible permite avaliar uma ação sem dizer logo quem a realiza. Quando se introduz uma pessoa com que, expressões de necessidade, importância ou possibilidade normalmente pedem o subjuntivo, o modo verbal usado aqui para apresentar algo como necessário, desejável ou possível, e não como um facto afirmado: Es importante que descanses — «É importante que descanses».
Em espanhol, uma condição possível usa normalmente si + presente: Si vienes, estaré contento — «Se vieres, ficarei contente». Uma situação imaginada usa si + imperfeito do subjuntivo + condicional: Si tuviera dinero, viajaría — «Se tivesse dinheiro, viajaria». A diferença decisiva para quem fala português é esta: o espanhol moderno não usa o futuro do subjuntivo em condições correntes; onde dizemos «se tiver», diz-se si tengo.
Em espanhol, ser apresenta uma característica ou classificação; estar apresenta um estado ou uma avaliação ligada à situação. A escolha pode mudar o próprio significado: Es listo significa «É inteligente», mas Está listo significa «Está pronto». Com formas como abierta, ser permite contar uma ação — La ventana fue abierta, «A janela foi aberta» —, enquanto estar descreve o resultado: La ventana está abierta, «A janela está aberta».
Em espanhol, seguir/continuar + gerúndio indica que uma ação continua; llevar + duração + gerúndio, há quanto tempo ela acontece; e ir + gerúndio, uma evolução gradual. Assim, Sigo trabajando significa «Continuo trabalhando», Llevo dos horas esperando, «Estou esperando há duas horas», e La situación va mejorando, «A situação vai melhorando». O gerúndio também pode mostrar como alguém faz algo, mas, para dar nome a uma atividade, usa-se o infinitivo: Leer es importante — «Ler é importante».
B2 (11)
O imperfeito do subjuntivo espanhol tem duas séries de formas, geralmente equivalentes: cantara/cantase, comiera/comiese, viniera/viniese. Forma-se a partir da forma de ellos no passado simples: vinieron → viniera. Aparece em pedidos e desejos apresentados no passado, como Quería que vinieras — “Queria que você viesse” —, mas também em hipóteses sobre o presente: Si pudiera, lo haría — “Se pudesse, faria isso”.
O pretérito perfeito do subjuntivo espanhol combina haya, hayas, haya, hayamos, hayáis, hayan + particípio, a forma do verbo que aparece em construções como «ter feito». Usa-se para apresentar uma ação como concluída em contextos de desejo, dúvida, avaliação ou emoção: Espero que haya llegado — «Espero que tenha chegado». Também pode indicar algo que deverá estar concluído antes de um momento futuro: Cuando hayas terminado, avísame — «Quando tiver terminado, avise-me».
O condicional composto espanhol combina habría, habrías, habría, habríamos, habríais, habrían + particípio, a forma do verbo encontrada em expressões como «ter feito». Serve principalmente para dizer o que teria acontecido em outras circunstâncias: Habría ido, pero estaba enferma — «Eu teria ido, mas estava doente». Também pode apresentar uma suposição sobre algo anterior a um momento passado: Cuando llamé, ya habrían salido — «Quando telefonei, provavelmente já tinham saído».
Para imaginar um passado diferente do que realmente aconteceu, o espanhol usa si hubiera + particípio, habría + particípio: Si hubiera sabido, habría venido — «Se eu tivesse sabido, teria vindo». O particípio é a forma que aparece em combinações como «tinha estudado» ou «teria feito». Se a consequência ainda se aplica ao presente, usa-se uma forma como sería: Si hubiera estudiado, sería médico ahora — «Se tivesse estudado, seria médico agora».
O mais-que-perfeito do subjuntivo espanhol forma-se com hubiera ou hubiese + particípio (uma forma como hablado, comido ou hecho). Serve para falar de algo anterior a um momento passado, dentro de uma dúvida, avaliação ou hipótese, e para imaginar um passado diferente: Si hubiera tenido tiempo, habría ido — «Se tivesse tido tempo, teria ido». As duas séries, hubiera e hubiese, são corretas nos usos próprios do subjuntivo e normalmente correspondem ao português tivesse + particípio.
Em espanhol, por pode indicar quem realizou uma ação, o motivo, uma troca ou uma quantidade por unidade; para pode apresentar uma opinião ou um padrão usado para avaliar alguém ou alguma coisa. Assim, por mí pode significar «por minha causa» ou «em meu lugar», enquanto para mí pode significar «na minha opinião». Nas expressões com estar, aprenda a construção inteira: está por hacer significa «ainda está por fazer», e no estoy para bromas, «não estou com disposição para brincadeiras».
Em espanhol, cuyo, cuya, cuyos e cuyas ligam alguém ou alguma coisa a um nome que indica aquilo que lhe pertence ou com que mantém uma relação: La autora cuyo libro leí significa «A autora cujo livro li». A forma concorda com o substantivo seguinte — a palavra que nomeia uma pessoa, coisa ou ideia —, e não com quem possui. A construção é muito semelhante a cujo em português e aparece sobretudo na escrita cuidada; não se coloca um artigo entre cuyo e esse nome.
O futuro perfeito espanhol forma-se com habré, habrás, habrá, habremos, habréis, habrán + particípio (a forma do verbo que aparece em «feito», «terminado» ou «visto»). Indica algo que estará concluído antes de um momento futuro: Habré terminado para las cinco — «Até às cinco, já terei terminado». Também permite supor o que aconteceu: Habrá olvidado — «Deve ter esquecido».
Em espanhol, cuando, mientras, hasta que, en cuanto e tan pronto como costumam levar indicativo quando apresentam fatos ou hábitos, mas levam subjuntivo quando apontam para uma situação ainda por acontecer: Cuando llegues, llámame — «Quando chegar, ligue para mim». O indicativo apresenta uma situação como fato; o subjuntivo enquadra a situação sem a afirmar diretamente como fato realizado. Ao contrário do português, o espanhol atual usa aqui o presente do subjuntivo, não o futuro do subjuntivo: «quando tiver» corresponde a cuando tenga. Com antes de que, use subjuntivo mesmo ao falar do passado.
Em espanhol, os advérbios em -mente formam-se geralmente a partir do feminino singular do adjetivo: lenta → lentamente, rápida → rápidamente. Se o adjetivo não muda no feminino, mantém-se a mesma forma: fácil → fácilmente. O advérbio conserva o acento gráfico do adjetivo original e, numa sequência como lenta y cuidadosamente, a terminação pode aparecer apenas no último elemento.
O espanhol distribui por vários verbos o que em português dizemos com ficar, tornar-se, virar, fazer-se ou chegar a ser. Use ponerse para uma alteração de estado, volverse para uma mudança de características, hacerse para uma nova condição ou identidade, convertirse en para uma transformação, quedarse para o estado que resulta de um acontecimento e llegar a ser para um ponto alcançado num percurso. Estas são orientações de sentido, não uma divisão rígida entre mudanças temporárias e permanentes.
C1 (10)
O pretérito anterior espanhol apresenta uma ação concluída imediatamente antes de outra ação passada: Cuando hubo terminado, se fue — «Assim que terminou, foi embora». Forma-se com hube, hubiste, hubo, hubimos, hubisteis, hubieron + particípio (forma como terminado ou hecho). Hoje aparece sobretudo na narração literária; numa conversa, é mais natural dizer Cuando terminó, se fue.
O futuro do subjuntivo espanhol, com formas como cantare, fuere e viniere, é hoje sobretudo uma forma de textos jurídicos, provérbios e expressões fixas. Ao contrário do português, não é o tempo normalmente usado para dizer «quando chegar» ou «se tiver tempo»: em espanhol corrente, diz-se cuando llegue e si tengo tiempo. Vale a pena aprender a reconhecê-lo, sem o transformar numa regra para a conversa do dia a dia.
Em espanhol, o tempo do verbo principal orienta o tempo do verbo que depende dele: Quiero que vengas («Quero que venhas») passa normalmente a Quería que vinieras («Queria que viesses»). Quando a ação dependente já está concluída, o contraste é Espero que haya llegado («Espero que tenha chegado») e Esperaba que hubiera llegado («Esperava que tivesse chegado»). A escolha depende também da relação entre os acontecimentos e do ponto de vista de quem fala: não se trata de recuar todos os verbos automaticamente.
Em espanhol, lo/la/los/las normalmente representam o objeto direto (a pessoa ou coisa diretamente envolvida na ação), enquanto le/les representam o objeto indireto (por exemplo, quem recebe algo). O leísmo troca as primeiras formas por le/les; o laísmo usa la/las como objeto indireto; o loísmo faz o mesmo com lo/los. Nem todos recebem a mesma avaliação: Le vi ayer, com referência a um homem, é um leísmo aceito na norma culta, mas La dije la verdad e Lo di el libro, com referência à pessoa que recebe a informação ou o livro, não são formas recomendadas na escrita padrão.
Uma perífrase verbal é um conjunto de verbos que funciona como uma unidade: um deles apresenta a ação e o outro indica, por exemplo, repetição, início ou probabilidade. Em espanhol, volver a llamar significa «voltar a ligar», dejar de fumar, «deixar de fumar», e acabar de llegar, «acabar de chegar». A palavra de ligação faz parte da construção: é preciso aprender volver a, dejar de, acabar de, ponerse a, deber de e llegar a, sempre seguidos de infinitivo.
O registro formal em espanhol combina tratamento respeitoso, vocabulário preciso e relações claras entre as ideias. Expressões como mediante («por meio de»), no obstante («contudo») e en virtud de («ao abrigo de», «em virtude de») são frequentes em comunicações profissionais e oficiais. Para pedir uma ação, é comum usar Le ruego que… seguido do subjuntivo: Le ruego que confirme su asistencia significa «Peço-lhe que confirme a sua presença». Formalidade não exige frases compridas nem palavras difíceis.
A nominalização transforma uma ação ou uma qualidade num substantivo, isto é, numa palavra que nomeia algo: desarrollar → el desarrollo («desenvolver → o desenvolvimento») e posible → la posibilidad («possível → a possibilidade»). Em espanhol, esse recurso permite apresentar processos e ideias como assuntos sobre os quais se pode comentar, comparar ou argumentar. É muito usado em textos formais, mas não basta acrescentar um sufixo qualquer: é preciso aprender a forma existente, o seu género e a construção que a acompanha.
A passiva reflexa apresenta uma ação sem dizer quem a pratica: Se alquilan habitaciones significa «Alugam-se quartos». O verbo concorda com aquilo que recebe a ação: Se vende un coche («Vende-se um carro»), mas Se venden coches («Vendem-se carros»). Já na construção impessoal, não há sujeito com o qual concordar, e o verbo fica na terceira pessoa do singular: Aquí se vive bien («Aqui vive-se bem»).
As estruturas enfáticas destacam uma parte da mensagem: quem agiu, o que se deseja ou se algo realmente aconteceu. Compare María lo hizo («María fez isso») com Es María quien lo hizo («Foi a María quem fez isso»): a segunda frase põe a pessoa em primeiro plano. Use lo que… es para apresentar o ponto principal, sí que para reforçar uma afirmação e ni siquiera para dizer «nem sequer»; colocar um assunto no início, como em A María, la vi ayer, também reorganiza a atenção do ouvinte.
Em espanhol, os diminutivos e aumentativos não indicam apenas tamanho: também exprimem carinho, admiração, desprezo ou uma tentativa de tornar um pedido mais suave. Un momentito significa «um momentinho», enquanto un hombrón pode ser «um homem de grande porte» e un golpazo, «uma pancada forte». O sufixo — a parte acrescentada no fim da palavra — dá uma orientação, mas é o contexto, juntamente com a entoação e a região, que define a intenção.
C2 (8)
Em espanhol, a escolha entre indicativo (modo que apresenta uma informação como afirmação) e subjuntivo (modo que permite tratar uma ideia sem a afirmar diretamente) nem sempre separa realidade e hipótese. No creo que venga significa «Não acho que ele venha»; Creo que no viene, «Acho que ele não vem». Com aunque e el hecho de que, o subjuntivo também pode apresentar um facto conhecido, mas tratado como informação de fundo ou como algo que não altera a conclusão.
O espanhol tem várias normas regionais legítimas: vos tenés razón e tú tienes razón significam «você tem razão», mas pertencem a diferentes sistemas de tratamento. Na América Latina, ustedes serve para falar com várias pessoas tanto em situações próximas como formais; em grande parte da Espanha, distingue-se vosotros de ustedes. Palavras como coche, carro e auto também variam conforme a região, sem que uma seja universalmente mais correta.
O registro coloquial é a maneira descontraída de falar em situações de proximidade: inclui expressões como vale («está bem»), o sea («ou seja») e profe («professor» ou «professora»). Essas formas não servem apenas para transmitir informação: também mostram acordo, surpresa, hesitação ou vontade de encerrar a conversa. Para usá-las bem, importa tanto o significado como o tom, a relação entre as pessoas e a região onde se fala espanhol.
Uma frase complexa organiza várias ideias, deixando claro qual é a afirmação central e como as outras dependem dela. Em espanhol, isso envolve combinar orações encaixadas, pares como no solo… sino también, tanto… como e ya… ya, além de comentários intercalados e suspensões deliberadas. O objetivo não é escrever frases cada vez maiores, mas controlar a relação entre as ideias sem perder a clareza.
Os recursos retóricos moldam a maneira de apresentar uma ideia para lhe dar mais força, suavidade, ritmo ou suspense. Em espanhol, No está mal («Não está mal») pode ser um elogio discreto, enquanto ¡Me muero de hambre! («Estou a morrer de fome!») exagera uma sensação. O essencial é interpretar a intenção no contexto, sem tomar todas as palavras ao pé da letra nem presumir que toda pergunta exige resposta.
Os conectores do discurso mostram como uma ideia se relaciona com outra: sin embargo contraria uma expectativa, en cambio compara diferenças e por consiguiente apresenta uma consequência. Para encerrar uma reflexão, a fin de cuentas destaca o que realmente importa, enquanto en resumidas cuentas resume o que foi dito. A escolha depende da relação entre as ideias, não apenas da tradução de uma palavra portuguesa.
A linguagem administrativa espanhola aparece em requerimentos, notificações, decisões e outros documentos oficiais. Caracteriza-se por fórmulas fixas, vocabulário preciso e construções que destacam o procedimento, como Se admiten las solicitudes — «Admitem-se os pedidos». Para compreender ou redigir esses textos, o essencial é identificar quem decide, o que se determina e em que condições, sem confundir formalidade com frases desnecessariamente complicadas.
As expressões idiomáticas têm um sentido próprio que nem sempre se deduz das palavras: estar en las nubes significa «estar distraído», não estar fisicamente nas nuvens. Aprenda cada expressão como um conjunto, mas adapte o verbo à pessoa e ao tempo: me pongo las pilas é «ponho mãos à obra» e nos pusimos las pilas é «pusemos mãos à obra». A semelhança com o português ajuda, desde que não se troquem as palavras espanholas por equivalentes literais.