B2

O pronome relativo cuyo em espanhol

Pronombre Relativo: cuyo

Este artigo faz parte da árvore gramatical de espanhol no Settemila Lingue.

Em poucas palavras

Em espanhol, cuyo, cuya, cuyos e cuyas ligam alguém ou alguma coisa a um nome que indica aquilo que lhe pertence ou com que mantém uma relação: La autora cuyo libro leí significa «A autora cujo livro li». A forma concorda com o substantivo seguinte — a palavra que nomeia uma pessoa, coisa ou ideia —, e não com quem possui. A construção é muito semelhante a cujo em português e aparece sobretudo na escrita cuidada; não se coloca um artigo entre cuyo e esse nome.

Visão geral

Imagine duas informações: Conocí a una escritora («Conheci uma escritora») e Su novela ganó un premio («O romance dela ganhou um prémio»). É possível juntá-las: Conocí a una escritora cuya novela ganó un premio — «Conheci uma escritora cujo romance ganhou um prémio». Cuya introduz uma informação sobre a escritora e, ao mesmo tempo, mostra que o romance é dela.

Por isso, costuma chamar-se a cuyo um relativo possessivo: relativo porque retoma algo mencionado antes, possessivo porque estabelece uma relação semelhante à de «seu» ou «dela». A expressão retomada chama-se antecedente; no exemplo, é una escritora. Não é necessário que exista propriedade no sentido literal: também podemos falar da autora e das suas ideias, de um edifício e da sua fachada, ou de uma decisão e das suas consequências.

No nível B2, esta construção torna-se especialmente útil para compreender notícias, biografias, textos profissionais e explicações mais elaboradas. Para quem lê português, a estrutura já é familiar, mesmo que «cujo» não faça parte da conversa diária. A principal tarefa é aplicar a concordância aos nomes espanhóis, sem deixar que a tradução portuguesa decida a forma.

Como funciona

As quatro formas e a concordância

A concordância é a adaptação de uma palavra ao género, masculino ou feminino, e ao número, singular ou plural, de outra palavra. Neste caso, quem determina a forma é o nome que vem depois de cuyo.

Género e número do nome seguinte Forma e exemplo em espanhol Equivalente em português
Masculino singular cuyo libro cujo livro
Feminino singular cuya casa cuja casa
Masculino plural cuyos padres cujos pais
Feminino plural cuyas acciones cujas ações

Compare estes dois grupos:

  • La autora cuyo libro leí. — «A autora cujo livro li.»
  • La autora cuyas novelas leí. — «A autora cujos romances li.»

A autora continua a ser a mesma. A passagem de cuyo para cuyas acontece porque libro é masculino singular e novelas é feminino plural. A tradução também mostra por que motivo não basta copiar a terminação portuguesa: «romances» é masculino, mas novelas é feminino.

Agora compare:

  • El profesor cuya hija estudia aquí. — «O professor cuja filha estuda aqui.»
  • Las profesoras cuya hija estudia aquí. — «As professoras cuja filha estuda aqui.»

Embora o antecedente passe do singular masculino para o plural feminino, cuya mantém-se: a referência seguinte continua a ser hija, feminino singular.

Juntar duas informações sem repetir a posse

Uma forma prática de construir a frase é partir de duas informações independentes:

  1. Visitamos un museo. — «Visitámos um museu.»
  2. Su colección es muy conocida. — «A coleção dele é muito conhecida.»
  3. Visitamos un museo cuya colección es muy conocida. — «Visitámos um museu cuja coleção é muito conhecida.»

Na terceira frase, cuya já transmite a ligação entre o museu e a coleção. Por isso, não se acrescenta su («seu/sua») nem um artigo como la antes de colección.

A estrutura básica é:

antecedente + cuyo/cuya/cuyos/cuyas + nome + resto da informação

O grupo introduzido pelo relativo é uma oração relativa, isto é, uma parte da frase com verbo que identifica ou descreve o antecedente. Os exemplos curtos do conceito, como El hombre cuya casa visité («O homem cuja casa visitei»), são grupos nominais: identificam alguém, mas precisam de uma continuação para formar uma afirmação completa. Por exemplo: El hombre cuya casa visité vive en Toledo — «O homem cuja casa visitei vive em Toledo».

Sem artigo, mas com possíveis adjetivos

Tal como no português padrão, não se escreve cuya la casa. O próprio relativo acompanha o nome sem precisar de el, la, los ou las, os artigos definidos espanhóis.

Isso não impede a presença de um adjetivo, uma palavra que caracteriza o nome:

  • La investigadora cuyo último artículo citamos participará en el debate. — «A investigadora cujo último artigo citamos participará no debate.»

Aqui, último fica entre cuyo e artículo. A regra de concordância não muda: a palavra central continua a ser artículo, masculino singular. Assim, dizer que cuyo concorda com o «nome seguinte» não significa que esse nome tenha de estar sempre imediatamente ao lado.

A relação não tem de ser propriedade

O antecedente pode ser uma pessoa, um grupo, uma instituição, um objeto, um lugar ou uma ideia. Basta existir uma relação clara com o nome introduzido por cuyo.

  • Una medida cuyas consecuencias todavía desconocemos. — «Uma medida cujas consequências ainda desconhecemos.»
  • Un edificio cuya fachada necesita una reparación. — «Um edifício cuja fachada precisa de uma reparação.»

As consequências não são uma propriedade da medida no mesmo sentido em que uma casa pode pertencer a alguém. Mesmo assim, a relação permite usar cuyas. Pense em «as consequências dessa medida», não apenas em «o que alguém possui».

Exemplos em contexto

Os exemplos seguintes mostram as quatro formas em frases completas. Observe primeiro o nome depois do relativo e só depois o antecedente.

Espanhol Português O que observar
El hombre cuya casa visité vive cerca del río. O homem cuja casa visitei vive perto do rio. A forma feminina depende da casa, não do homem.
La autora cuyo libro leí presentará su nueva novela mañana. A autora cujo livro li apresentará amanhã o seu novo romance. O livro exige masculino singular.
Los estudiantes cuyos padres vinieron organizaron la reunión. Os estudantes cujos pais vieram organizaram a reunião. O nome seguinte está no masculino plural.
La empresa cuyas acciones subieron anunció nuevos proyectos. A empresa cujas ações subiram anunciou novos projetos. A relação é entre a empresa e as suas ações.
Buscamos una traductora cuya lengua materna sea el español. Procuramos uma tradutora cuja língua materna seja o espanhol. A pessoa procurada ainda não está identificada.
El edificio, cuya fachada restauraron el año pasado, vuelve a abrir hoy. O edifício, cuja fachada restauraram no ano passado, reabre hoje. As vírgulas delimitam uma informação adicional.
Es una decisión cuyas consecuencias debemos estudiar. É uma decisão cujas consequências devemos estudar. A relação é abstrata, não uma propriedade material.
La médica con cuya ayuda conseguimos una cita trabaja aquí. A médica com cuja ajuda conseguimos uma consulta trabalha aqui. A preposição vem antes do relativo.
El poeta a cuya obra dedicaron el congreso nació en Sevilla. O poeta a cuja obra dedicaram o congresso nasceu em Sevilha. Dedica-se o congresso à obra do poeta.
El hotel en cuyas habitaciones nos alojamos está junto a la estación. O hotel em cujos quartos ficámos fica junto à estação. O nome espanhol é feminino plural; a tradução portuguesa é masculina.
Es un problema cuya solución no depende solo de nosotros. É um problema cuja solução não depende apenas de nós. O relativo também liga um problema à sua solução.
La periodista cuyo último reportaje ganó el premio vive en Lima. A jornalista cuja última reportagem ganhou o prémio vive em Lima. O nome espanhol é masculino; o equivalente português é feminino.

Erros frequentes

1. Fazer a concordância com o antecedente

  • Incorreto: La autora cuya libro leí vive aquí.
  • Correto: La autora cuyo libro leí vive aquí.
  • Sentido: «A autora cujo livro li vive aqui.»

Autora é feminino, mas isso não determina a escolha. O nome libro exige cuyo. Para rever uma frase, procure primeiro aquilo que pertence ou está associado ao antecedente.

2. Acrescentar um artigo depois do relativo

  • Incorreto: El vecino cuya la casa vendieron se ha mudado.
  • Correto: El vecino cuya casa vendieron se ha mudado.
  • Sentido: «O vizinho cuja casa venderam mudou de casa.»

Não se usa la entre cuya e casa. Esta é uma boa ocasião para aproveitar o português: «cuja a casa» também não pertence à construção padrão.

3. Usar uma sequência com que e su na escrita formal

  • Forma a evitar na escrita cuidada: La mujer que su hijo trabaja aquí es abogada.
  • Forma recomendada: La mujer cuyo hijo trabaja aquí es abogada.
  • Sentido: «A mulher cujo filho trabalha aqui é advogada.»

A sequência que su aparece na fala, mas não substitui de forma recomendável o relativo possessivo em textos formais. Não confunda este caso com sequências legítimas em que que tem outra função, como Creo que su hijo trabaja aquí — «Acho que o filho dela trabalha aqui».

4. Omitir uma preposição necessária

  • Incorreto: La autora cuya obra se basa el curso dará una charla.
  • Correto: La autora en cuya obra se basa el curso dará una charla.
  • Sentido: «A autora em cuja obra se baseia o curso dará uma palestra.»

Uma preposição é uma palavra como «em», «com» ou «de», que estabelece uma relação entre elementos. Em espanhol, basarse en significa «basear-se em». A preposição en tem de aparecer antes de cuya obra; o relativo não a substitui.

5. Usar cuyo quando não existe uma relação possessiva

  • Incorreto: La autora cuya conocí ayer ganó el premio.
  • Correto: La autora que conocí ayer ganó el premio.
  • Sentido: «A autora que conheci ontem ganhou o prémio.»

Neste caso, conheci a própria autora. Não estou a falar de um livro, de uma filha ou de outro nome associado a ela. Usa-se que, não cuya. O relativo possessivo precisa de acompanhar um nome na construção aqui estudada.

6. Escolher a forma pela tradução portuguesa

  • Incorreto: El hotel en cuyos habitaciones dormimos era tranquilo.
  • Correto: El hotel en cuyas habitaciones dormimos era tranquilo.
  • Sentido: «O hotel em cujos quartos dormimos era tranquilo.»

Em português, «quartos» pede «cujos». Em espanhol, porém, habitaciones é feminino plural e exige cuyas. A semelhança entre as línguas ajuda a compreender a construção, mas não elimina a necessidade de verificar o género de cada nome.

Notas de uso

Um recurso normal na escrita, mais marcado na conversa

Cuyo não é uma forma antiquada. É normal em jornalismo, ensaios, relatórios, correspondência formal e textos académicos. Permite ligar informações com precisão e evitar repetições. Ainda assim, na conversa espontânea, muitos falantes preferem construções mais simples.

Compare duas maneiras de apresentar a mesma informação:

  • Hablé con una vecina cuyo hijo estudia en Valencia. — «Falei com uma vizinha cujo filho estuda em Valência.»
  • Hablé con una vecina. Su hijo estudia en Valencia. — «Falei com uma vizinha. O filho dela estuda em Valência.»

A segunda opção não é menos correta. Apenas distribui a informação por duas frases. Ao escrever, escolha cuyo quando a relação ficar mais clara, não apenas para dar um tom sofisticado ao texto.

Não é sempre equivalente a de quien

De quien pode significar «de quem», mas não se troca mecanicamente por cuyo:

  • La persona de quien te hablé llegó temprano. — «A pessoa de quem te falei chegou cedo.»
  • La persona cuyo nombre olvidé llegó temprano. — «A pessoa cujo nome esqueci chegou cedo.»

No primeiro exemplo, a relação depende de hablar de alguien, «falar de alguém». No segundo, nombre é o nome da pessoa. Cuyo liga o antecedente a esse novo nome; não é uma alternativa geral a qualquer sequência com de.

Sem acento gráfico nesta construção

As quatro formas estudadas escrevem-se cuyo, cuya, cuyos, cuyas, sem acento gráfico. Para perguntar a quem pertence alguma coisa, a opção corrente é ¿De quién es este libro? — «De quem é este livro?». Não transforme o relativo desta lição numa palavra interrogativa apenas acrescentando um acento.

Para ir além do básico

Preposições antes do grupo completo

A preposição depende da função do grupo dentro da oração relativa. Um bom método é reconstruir primeiro uma frase sem o relativo:

  • Nos alojamos en las habitaciones del hotel. — «Ficámos nos quartos do hotel.»
  • El hotel en cuyas habitaciones nos alojamos era pequeño. — «O hotel em cujos quartos ficámos era pequeno.»

A ideia de estar nos quartos exige en. A relação entre o hotel e os quartos é expressa por cuyas. Cada elemento desempenha uma tarefa diferente.

O mesmo raciocínio funciona com outras preposições:

  • La investigadora de cuyos resultados hablamos vendrá mañana. — «A investigadora de cujos resultados falamos virá amanhã.»
  • El escritor por cuya recomendación elegimos el libro estará en la feria. — «O escritor por cuja recomendação escolhemos o livro estará na feira.»

Não há contração entre a preposição e o relativo: escreve-se a cuyo, não al cuyo. A contração espanhola al resulta de a + el; aqui não existe o artigo el.

Com e sem vírgulas

Uma relativa restritiva identifica de quem ou de que se está a falar. Não se separa do antecedente por vírgulas:

  • Los alumnos cuyos trabajos fueron seleccionados recibirán un correo. — «Os alunos cujos trabalhos foram selecionados receberão uma mensagem de correio eletrónico.»

A frase seleciona um grupo: receberão a mensagem os alunos com trabalhos selecionados, não necessariamente todos.

Uma relativa explicativa acrescenta uma informação sobre alguém ou algo já identificado. Fica entre vírgulas:

  • Estos alumnos, cuyos trabajos fueron seleccionados, recibirán un correo. — «Estes alunos, cujos trabalhos foram selecionados, receberão uma mensagem de correio eletrónico.»

Aqui, a seleção dos trabalhos é apresentada como informação adicional sobre aqueles alunos. A distinção é semelhante à do português: as vírgulas podem alterar a maneira como se delimita o grupo.

O relativo não determina o modo verbal

Cuyo pode aparecer com o indicativo, modo verbal usado para apresentar uma situação como efetiva, ou com o subjuntivo, frequentemente chamado «conjuntivo» em Portugal, usado, entre outras funções, para situações procuradas, desejadas ou ainda não confirmadas.

  • Conozco a una traductora cuya lengua materna es el español. — «Conheço uma tradutora cuja língua materna é o espanhol.»
  • Busco una traductora cuya lengua materna sea el español. — «Procuro uma tradutora cuja língua materna seja o espanhol.»

Na primeira frase, o falante tem uma pessoa concreta em mente. Na segunda, descreve um requisito para alguém que procura. A mudança de es para sea não é causada por cuya: vem da forma como se apresenta a existência ou identificação dessa pessoa.

Concordância verbal: outra decisão

A escolha de cuyo e a escolha da forma verbal são decisões diferentes. O sujeito, isto é, quem ou aquilo de que se afirma algo na oração, determina a concordância do verbo:

  • La empresa cuyos empleados trabajan desde casa creció mucho. — «A empresa cujos funcionários trabalham a partir de casa cresceu muito.»

Cuyos concorda com empleados. O verbo trabajan também está no plural porque quem trabalha são os funcionários. Já creció está no singular porque quem cresceu foi a empresa.

O nome depois do relativo nem sempre é sujeito:

  • La empresa cuyos productos compramos está en Madrid. — «A empresa cujos produtos compramos fica em Madrid.»

Quem compra somos nós; os produtos são aquilo que compramos. Portanto, não se deve pôr automaticamente o verbo no plural só porque aparece cuyos.

Dicas para praticar

  1. Ligue duas frases curtas. Escreva Conozco a una fotógrafa («Conheço uma fotógrafa») e Sus fotos aparecen en esta revista («As fotografias dela aparecem nesta revista»). Junte-as: Conozco a una fotógrafa cuyas fotos aparecen en esta revista. Depois troque fotos por trabajo («trabalho») e ajuste para cuyo trabajo.

  2. Marque duas relações separadamente. Num texto espanhol, sublinhe o antecedente e circule o nome depois de cuyo. Confirme género e número. Se houver uma preposição antes do relativo, reconstrua a expressão que a exige: hablar de los resultados («falar dos resultados»), por exemplo, explica de cuyos resultados.

  3. Resolva um pequeno contraste antes de consultar a resposta. Complete: La periodista ___ reportajes leemos vive aquí («A jornalista cujas reportagens lemos vive aqui»). A resposta é cuyos, porque reportajes é masculino plural. Em seguida, reescreva a informação em duas frases; isso ajuda a verificar a relação de posse sem depender apenas da terminação.

Conceitos relacionados

  • Base para esta lição: Pronomes relativos: donde e cual — reveja como os relativos ligam informações a um antecedente e como podem combinar-se com preposições. Depois, acrescente a relação possessiva específica de cuyo.

Pré-requisito

Relativos em espanhol: donde, el cual e lo queB1

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