Conjunções básicas em espanhol
Conjunciones Básicas
Este artigo faz parte da árvore gramatical de espanhol no Settemila Lingue.
Em poucas palavras
Em espanhol, y acrescenta informação, o apresenta alternativas, pero introduz um contraste, sino corrige uma ideia negada, porque dá uma razão e así que apresenta uma consequência. Por razões de pronúncia, y passa a e antes do som inicial de i, e o passa a u antes do som inicial de o: español e inglés («espanhol e inglês»), siete u ocho («sete ou oito»). Para quem fala português, a atenção principal deve estar na escolha entre pero e sino, que podem corresponder a «mas», embora não sejam intercambiáveis.
Visão geral
As conjunções são palavras que ligam outras palavras ou ideias. Permitem passar de frases soltas para uma mensagem mais natural: em vez de dizer apenas «Estudo. Gosto», é possível explicar a relação entre as duas informações. Em espanhol, Estudio porque me gusta significa «Estudo porque gosto».
Este é um tema de nível A1 porque aparece logo nas primeiras conversas: ao pedir comida, combinar um encontro, explicar uma preferência ou corrigir uma informação. As semelhanças com o português ajudam bastante. No entanto, nem sempre basta trocar uma palavra pela sua equivalente: o espanhol alterna y/e e o/u de maneira própria e distingue com clareza acrescentar um contraste de substituir uma ideia por outra.
Não é preciso decorar todas as exceções de início. Aprenda primeiro a reconhecer seis relações: adição, escolha, contraste, correção, causa e consequência. Mais adiante, a secção «Para além do básico» mostra os casos de pronúncia e de construção que exigem mais cuidado.
Como funciona
Escolher a ligação certa
Algumas destas conjunções coordenam: unem elementos apresentados no mesmo plano, como dois alimentos ou duas afirmações. Outras estabelecem uma relação de causa ou de consequência. Esta diferença de classificação não precisa de orientar a primeira aprendizagem; o importante é perceber o sentido da ligação.
| Forma em espanhol | Equivalente habitual em português | Relação entre as ideias |
|---|---|---|
| y / e | e | Acrescentar informação |
| o / u | ou | Apresentar alternativas |
| pero | mas | Contrapor sem substituir a primeira ideia |
| sino | mas sim, e sim | Substituir uma ideia negada pela correta |
| porque | porque | Indicar a causa ou a razão |
| así que | por isso, de modo que | Apresentar o resultado |
Estas palavras não mudam para acompanhar o masculino, o feminino, o singular ou o plural. As alternâncias y/e e o/u dependem do som seguinte, não do género nem do número.
Y e e: acrescentar informação
A forma habitual é y:
- Compro pan y leche. — Compro pão e leite.
- Ana trabaja y estudia. — A Ana trabalha e estuda.
Ao contrário do português, em que escrevemos normalmente «e», o espanhol usa y na maioria dos contextos. Não use a forma portuguesa automaticamente.
Antes de uma palavra que começa pelo som de i, usa-se e:
- Hablo español e inglés. — Falo espanhol e inglês.
- Vienen padres e hijos. — Vêm pais e filhos.
O h de hijos não se pronuncia. Por isso, o som inicial continua a ser i. A mudança evita juntar dois sons muito parecidos. A regra vale também quando a palavra seguinte inicia um grupo de palavras maior: Es útil e importante — «É útil e importante».
A regra é sonora, não uma simples substituição antes de todas as palavras escritas com i ou hi. Em hielo, o início soa aproximadamente como o de «iate», não como um i isolado. Diz-se, portanto, agua y hielo — «água e gelo». Os pormenores ficam na secção avançada.
O e u: apresentar alternativas
Use o para uma escolha:
- ¿Quieres té o café? — Queres chá ou café?
- Podemos ir hoy o mañana. — Podemos ir hoje ou amanhã.
Antes do som inicial de o, a forma passa a u, mesmo que exista um h escrito:
- Tengo siete u ocho euros. — Tenho sete ou oito euros.
- Podemos reunirnos el sábado u hoy mismo. — Podemos reunir-nos no sábado ou ainda hoje.
A mesma lógica vale para algarismos: 7 u 8 lê-se como siete u ocho, «sete ou oito». É a leitura que determina a escolha, não o facto de a palavra estar escrita por extenso.
Nem toda a frase com o exige uma escolha exclusiva. Puedes llamar o escribir («Podes telefonar ou escrever») apresenta duas possibilidades; o contexto é que esclarece se uma exclui a outra.
Pero: manter as duas informações
Pero introduz uma informação que contrasta com a anterior, sem a apagar:
- Es tarde, pero no estoy cansado. — É tarde, mas não estou cansado.
- El piso es pequeño, pero tiene mucha luz. — O apartamento é pequeno, mas tem muita luz.
No segundo exemplo, o apartamento continua a ser pequeno. A luminosidade é uma vantagem que contrabalança esse facto.
Também pode haver uma negação antes de pero:
- No tengo coche, pero puedo ir en autobús. — Não tenho carro, mas posso ir de autocarro.
A segunda parte não corrige «não tenho carro». Apenas apresenta outra possibilidade. Portanto, a presença de no não obriga a usar sino.
Sino e sino que: corrigir o que foi negado
Use sino quando o sentido for «não isto, mas sim aquilo»:
- No quiero té, sino café. — Não quero chá, mas sim café.
- No vive en Madrid, sino en Toledo. — Não vive em Madrid, mas sim em Toledo.
Aqui não há duas informações contrastantes mantidas lado a lado. Primeiro rejeita-se uma opção; depois apresenta-se a correta. Em português também se pode dizer apenas «mas», mas em espanhol esta correção pede normalmente sino.
Quando a correção introduz outra oração, isto é, outra unidade com um verbo numa forma como estudia ou trabaja, usa-se sino que:
- No estudia, sino que trabaja. — Não estuda, trabalha.
- No llamó, sino que mandó un mensaje. — Não telefonou, mas sim enviou uma mensagem.
Se o que se contrapõe são duas formas como leer e escribir, chamadas infinitivos — a forma básica do verbo, equivalente a «ler» e «escrever» —, pode usar-se apenas sino: No quiero leer, sino escribir — «Não quero ler, mas sim escrever».
Uma pergunta útil é: a segunda parte substitui a primeira ou acrescenta um contraste? Se a substitui após uma negação, pense em sino. Se ambas continuam válidas, pense em pero.
Porque: explicar a razão
Porque, numa só palavra e sem acento, liga um facto à sua causa:
- Estudio porque me gusta. — Estudo porque gosto.
- Me quedo en casa porque estoy enferma. — Fico em casa porque estou doente.
Pode responder a uma pergunta com ¿Por qué…?, em duas palavras e com acento:
- ¿Por qué estudias español? — Porque lo necesito para el trabajo. — Porque estudas espanhol? — Porque preciso dele para o trabalho.
A tradução portuguesa varia conforme o contexto e a variedade do português. Para escrever em espanhol, guarde a distinção própria da língua: por qué pergunta; porque explica.
Así que: apresentar a consequência
Así que significa frequentemente «por isso». A primeira parte apresenta a situação; a segunda mostra o resultado:
- Llueve, así que llevo paraguas. — Está a chover, por isso levo guarda-chuva.
- No hay pan, así que voy a la tienda. — Não há pão, por isso vou à loja.
Compare as duas maneiras de relacionar os mesmos factos:
- Llevo paraguas porque llueve. — Levo guarda-chuva porque está a chover.
- Llueve, así que llevo paraguas. — Está a chover, por isso levo guarda-chuva.
Com porque, explica-se a razão da ação. Com así que, parte-se da causa e chega-se ao resultado. Escreve-se así com acento e que sem acento.
Exemplos em contexto
Leia cada frase identificando primeiro a relação entre as ideias. Depois observe a forma da conjunção.
| Espanhol | Português | O que observar |
|---|---|---|
| Hablo español e inglés. | Falo espanhol e inglês. | Adição antes do som de i. |
| Necesito aguja e hilo. | Preciso de agulha e linha. | O h não impede a mudança para e. |
| Quiero agua y hielo. | Quero água e gelo. | O início de hielo não desencadeia a mudança. |
| ¿Quieres té o café? | Queres chá ou café? | Escolha entre duas bebidas. |
| La visita dura siete u ocho minutos. | A visita dura sete ou oito minutos. | Usa-se u antes de ocho. |
| ¿Hay restaurantes u hoteles cerca? | Há restaurantes ou hotéis por perto? | O h de hoteles não se pronuncia. |
| Es tarde, pero no estoy cansado. | É tarde, mas não estou cansado. | Os dois factos continuam válidos. |
| No tengo hambre, pero voy a comer algo. | Não tenho fome, mas vou comer alguma coisa. | A negação não exige sino. |
| No soy médico, sino enfermero. | Não sou médico, mas sim enfermeiro. | Correção da profissão. |
| No voy a comprarlo, sino que voy a pedirlo prestado. | Não vou comprá-lo, vou pedi-lo emprestado. | Correção com outra oração. |
| Estudio porque me gusta. | Estudo porque gosto. | Explicação da razão. |
| Cerramos la ventana porque hace frío. | Fechamos a janela porque está frio. | A causa vem depois de porque. |
| La farmacia está cerrada, así que vuelvo mañana. | A farmácia está fechada, por isso volto amanhã. | Consequência prática. |
| Estoy cansada, así que me voy a casa. | Estou cansada, por isso vou para casa. | Resultado da situação anterior. |
Erros comuns
1. Usar sempre a forma portuguesa «e»
- Incorreto: Compro pan e leche.
- Correto: Compro pan y leche. — Compro pão e leite.
- Porquê: a forma habitual espanhola é y. A forma e só aparece nas condições de pronúncia explicadas acima.
No sentido contrário, español y inglés deve passar a español e inglés — «espanhol e inglês» — porque inglés começa pelo som de i.
2. Olhar apenas para a letra h
- Incorreto: Padres y hijos; agua e hielo.
- Correto: Padres e hijos; agua y hielo. — Pais e filhos; água e gelo.
- Porquê: em hijos, o som inicial é i. Em hielo, o início forma uma só sílaba com a vogal seguinte. É preciso ouvir a palavra, não apenas ver as duas primeiras letras.
3. Esquecer a forma u
- Incorreto: Siete o ocho personas.
- Correto: Siete u ocho personas. — Sete ou oito pessoas.
- Porquê: a conjunção muda antes do som de o, incluindo palavras iniciadas por ho quando o h é mudo.
4. Confundir contraste com correção
- Incorreto, para corrigir a bebida: No quiero café, pero té.
- Correto: No quiero café, sino té. — Não quero café, mas sim chá.
- Porquê: o chá substitui o café como opção desejada. Compare com No quiero café, pero puedo prepararte uno — «Não quero café, mas posso preparar-te um». Nesta última frase, a recusa mantém-se; acrescenta-se outra informação.
5. Omitir que antes de outra oração
- Incorreto: No descansa, sino trabaja.
- Correto: No descansa, sino que trabaja. — Não descansa, trabalha.
- Porquê: a correção tem o seu próprio verbo, trabaja. Nesta construção, a ligação é sino que.
6. Escrever por qué numa explicação
- Incorreto: Me voy por qué es tarde.
- Correto: Me voy porque es tarde. — Vou-me embora porque é tarde.
- Porquê: a frase dá uma razão, não faz uma pergunta. Nas perguntas indiretas, porém, mantém-se por qué: No sé por qué se va — «Não sei porque se vai embora».
Notas de uso
Pontuação: não seguir apenas as pausas da voz
Nas ligações simples, não se coloca normalmente vírgula antes de y, e, o ou u: Compramos fruta, pan y queso — «Compramos fruta, pão e queijo».
É habitual usar vírgula antes de pero, sino e así que quando ligam partes de uma frase: Quería salir, pero llueve — «Queria sair, mas está a chover». Entre duas qualidades ligadas de forma curta, pode não haver vírgula: Es pequeño pero cómodo — «É pequeno mas confortável».
Na explicação direta de uma causa, não se põe normalmente vírgula antes de porque: No salgo porque estoy enfermo — «Não saio porque estou doente». Há outros usos com vírgula, tratados abaixo; não convém inserir uma vírgula apenas porque se faz uma pausa ao falar.
Formas correntes, não variantes de formalidade
Y, o, pero, sino e porque são normais tanto na fala como na escrita. Así que é muito frequente na conversa e também serve para textos correntes. Num relatório, podem aparecer alternativas mais formais, mas não é preciso substituí-la em todas as situações.
As mudanças para e e u também pertencem ao uso normal. Não são escolhas literárias nem marcas de uma região específica.
Para além do básico
Os pontos seguintes são úteis para ler e ouvir com mais segurança. Não é necessário dominá-los todos para começar a formar frases.
Exceções sonoras e um uso interrogativo de y
Um ditongo é a união de dois sons vocálicos na mesma sílaba. O início de hielo e de hierro tem esse comportamento. Por isso se mantém y: madera y hierro — «madeira e ferro».
Em algumas palavras, a pronúncia pode variar. Hiato, por exemplo, pode começar por um i separado da vogal seguinte ou por uma sequência pronunciada na mesma sílaba. A escolha entre e hiato e y hiato acompanha essa pronúncia. Para o início, é mais útil fixar os casos frequentes do que memorizar palavras raras.
Também se conserva y quando tem valor interrogativo próprio, aproximadamente «e quanto a…?»: ¿Y Inés? — «E a Inês?». Aqui, y não funciona apenas como uma ligação átona — isto é, sem destaque na voz — entre dois elementos de uma lista.
A conjunção o nunca leva acento
Na ortografia atual, escreve-se o, sem acento, mesmo entre números: 2 o 3 — «dois ou três». Não se deve recuperar a grafia antiga com acento. A alternância sonora continua a aplicar-se: 7 u 8 — «sete ou oito».
Para apresentar duas opções com maior insistência, pode repetir-se a conjunção: O vienes conmigo o te quedas aquí — «Ou vens comigo ou ficas aqui». A repetição torna a alternativa mais explícita.
Sino não é si no
Sino, numa palavra, corrige uma negação. Si no, em duas palavras, introduz uma condição negativa, equivalente a «se não»:
- No es caro, sino barato. — Não é caro, mas sim barato.
- Si no tienes tiempo, vamos mañana. — Se não tens tempo, vamos amanhã.
Compare também No solo habla español, sino que también habla italiano — «Não só fala espanhol, como também fala italiano». Nesta construção, no solo… sino también… não rejeita o primeiro facto: reforça a adição de um segundo. É uma ampliação importante da regra inicial de sino.
Porque pode justificar uma conclusão
Porque nem sempre indica a causa real de um acontecimento. Pode explicar por que motivo quem fala chegou a uma conclusão:
- Debe de estar en casa, porque la luz está encendida. — Deve estar em casa, porque a luz está acesa.
A luz acesa não faz a pessoa estar em casa; é uma pista que justifica a suposição. Neste uso explicativo, a vírgula é habitual.
Outra construção mais avançada é No lo digo porque esté enfadado, sino porque es verdad — «Não digo isto por estar zangado, mas porque é verdade». Esté está no conjuntivo, também chamado subjuntivo: uma forma verbal usada, entre outros contextos, para não apresentar uma ideia como uma afirmação direta. Aqui rejeita-se uma razão e apresenta-se outra. Isso não significa que porque exija sempre conjuntivo; nas explicações simples, usam-se formas como es, tengo e me gusta.
Consequência não é finalidade
Así que apresenta um resultado; para que apresenta um objetivo:
- Hablo despacio, así que me entienden. — Falo devagar, por isso entendem-me.
- Hablo despacio para que me entiendan. — Falo devagar para que me entendam.
A primeira frase afirma o resultado. A segunda diz o que se pretende conseguir. Na segunda aparece novamente o conjuntivo, entiendan. É uma distinção para desenvolver mais tarde, não uma razão para complicar as primeiras frases com así que.
Dicas de prática
- Ligue situações do seu dia. Escreva três pares de ideias e escolha a relação: acrescentar, contrastar ou explicar. Por exemplo, transforme «tenho sono» e «vou para a cama» em Tengo sueño, así que me voy a la cama — «Tenho sono, por isso vou para a cama». Depois inverta a ordem usando porque.
- Treine os sons, não apenas as letras. Leia em voz alta español e inglés («espanhol e inglês»), agua y hielo («água e gelo») e siete u ocho («sete ou oito»). Antes de escolher a conjunção, pronuncie a palavra seguinte sozinha.
- Faça o teste da substituição. Compare No tengo coche, pero tengo bicicleta («Não tenho carro, mas tenho bicicleta») com No es un coche, sino una furgoneta («Não é um carro, mas sim uma carrinha»). No primeiro caso, as duas informações mantêm-se; no segundo, corrige-se a identificação. Crie mais dois pares com bebidas, profissões ou lugares.
Conceitos relacionados
- Estruturas de frases complexas — aprofundamento de como ligar várias partes de uma frase; é um tema de nível C2, para uma fase posterior.
- Conectores do discurso — ampliação, também de nível C2, das formas de organizar argumentos, contrastes e conclusões em textos mais elaborados.