B1

Presente do subjuntivo em espanhol

Subjuntivo Presente

Este artigo faz parte da árvore gramatical de espanhol no Settemila Lingue.

Em poucas palavras

O presente do subjuntivo é a forma verbal usada em frases como Quiero que vengas — «Quero que venhas» — para expressar desejos, dúvidas, emoções e pedidos. Para formar a maioria dos verbos, parte-se da forma yo do presente do indicativo, retira-se o -o e acrescentam-se as terminações -e, -es, -e, -emos, -éis, -en aos verbos em -ar, ou -a, -as, -a, -amos, -áis, -an aos verbos em -er/-ir. A semelhança com o português ajuda, mas há uma diferença essencial: «quando chegares» corresponde a cuando llegues, com presente do subjuntivo em espanhol.

Visão geral

O subjuntivo é um modo verbal, isto é, uma maneira de apresentar uma ação ou situação: como desejo, possibilidade, avaliação ou algo que não se afirma diretamente. Compare Vienes mañana — «Vens amanhã» — com Quiero que vengas mañana — «Quero que venhas amanhã». A primeira frase apresenta uma informação; a segunda apresenta a vinda de alguém como objeto de um desejo.

Para quem fala português, a ideia não é nova: «Espero que esteja tudo bem» já contém um presente do subjuntivo, chamado também presente do conjuntivo, sobretudo em Portugal. No nível B1 de espanhol, o desafio principal é dominar as formas próprias da língua e reconhecer os contextos em que as duas línguas deixam de coincidir. Neste artigo, as traduções usam frequentemente «tu», para tornar visível a correspondência com o espanhol tú; com «você», diríamos, por exemplo, «Quero que você venha».

Não associe automaticamente subjuntivo a «algo irreal». Em Me alegra que estés aquí — «Fico contente por estares aqui» — a presença da outra pessoa pode ser um facto. O subjuntivo aparece porque a frase apresenta uma reação a esse facto, e não apenas a informação de que ele existe.

Como se forma e como funciona

1. O ponto de partida é a forma de «eu»

O indicativo é o modo usado normalmente para apresentar informações como afirmações. Para formar o presente do subjuntivo, procure primeiro a forma de yo no presente do indicativo:

  1. hablar → yo hablo → habl-;
  2. comer → yo como → com-;
  3. vivir → yo vivo → viv-.

O radical é a parte do verbo à qual se acrescentam as terminações. Nos verbos em -ar, a vogal das terminações passa a e; nos verbos em -er/-ir, passa a a.

Pessoa hablar comer vivir
Eu yo hable yo coma yo viva
Tu tú hables tú comas tú vivas
Ele, ela, tratamento com usted él/ella/usted hable él/ella/usted coma él/ella/usted viva
Nós nosotros/nosotras hablemos nosotros/nosotras comamos nosotros/nosotras vivamos
Vós, tratamento informal plural de Espanha vosotros/vosotras habléis vosotros/vosotras comáis vosotros/vosotras viváis
Eles, elas, tratamento com ustedes ellos/ellas/ustedes hablen ellos/ellas/ustedes coman ellos/ellas/ustedes vivan

Hablar, comer e vivir significam «falar», «comer» e «viver». Repare que as formas de yo e de él/ella/usted são iguais. O contexto costuma indicar quem pratica a ação; quando não basta, acrescenta-se a palavra que identifica essa pessoa.

Os acentos também fazem parte da forma: habléis, comáis e viváis. Não acrescente os acentos portugueses a formas espanholas como hablemos ou vivamos.

2. As irregularidades de «yo» costumam manter-se

A regra da forma yo permite formar muitos verbos que parecem irregulares à primeira vista:

Verbo Presente com yo Subjuntivo com yo Sentido em português
tener tengo tenga ter
venir vengo venga vir
hacer hago haga fazer
decir digo diga dizer
poner pongo ponga pôr, colocar
salir salgo salga sair
conocer conozco conozca conhecer
oír oigo oiga ouvir

Assim, venir dá venga, vengas, venga, vengamos, vengáis, vengan. É por isso que se diz Quiero que vengas — «Quero que venhas» —, e não se constrói a forma a partir de vienes.

3. Verbos com mudança de vogal

Alguns verbos mudam uma vogal do radical. Nos verbos em -ar e -er, essa mudança não aparece nas formas de nosotros e vosotros. Nos verbos em -ir com estes padrões, há também uma mudança nessas duas pessoas.

Pessoa pensar volver pedir dormir
Eu piense vuelva pida duerma
Tu pienses vuelvas pidas duermas
Ele, ela, usted piense vuelva pida duerma
Nós pensemos volvamos pidamos durmamos
Vós, vosotros penséis volváis pidáis durmáis
Eles, elas, ustedes piensen vuelvan pidan duerman

Os sentidos são «pensar», «voltar», «pedir» e «dormir». Em pensar e volver, a mudança é e → ie e o → ue, exceto nas formas de nós e vós. Em pedir, mantém-se e → i em todas as pessoas. Em dormir, aparece ue na maioria das pessoas e u em durmamos e durmáis. Sentir segue um padrão semelhante: sienta, mas sintamos — «sinta», mas «sintamos».

4. Mudanças de escrita para conservar o som

Certas alterações são ortográficas: muda-se a escrita para manter o som do verbo antes da nova vogal.

Verbo Forma com yo no subjuntivo O que muda
buscar busque c passa a qu antes de e; significa «procurar»
llegar llegue g passa a gu antes de e; significa «chegar»
empezar empiece z passa a c; há também mudança de e para ie; significa «começar»
coger coja g passa a j antes de a; significa «pegar», sobretudo em Espanha
seguir siga desaparece o u de seguir e o e passa a i; significa «seguir»

Em llegue, o u não se pronuncia: serve para manter o som de g de llegar. Já em averigüe — «averigue» — o trema indica que o u se pronuncia, como acontece em averiguar.

5. Seis verbos essenciais que exigem atenção própria

Os seguintes verbos não se obtêm simplesmente retirando um -o da forma de yo. Convém aprendê-los como conjuntos.

Pessoa ser estar ir haber saber dar
Eu sea esté vaya haya sepa dé
Tu seas estés vayas hayas sepas des
Ele, ela, usted sea esté vaya haya sepa dé
Nós seamos estemos vayamos hayamos sepamos demos
Vós, vosotros seáis estéis vayáis hayáis sepáis deis
Eles, elas, ustedes sean estén vayan hayan sepan den

Os sentidos de ser, estar, ir, saber e dar correspondem aos verbos portugueses semelhantes. Haber serve para indicar existência ou para formar tempos compostos. Com sentido de «existir», usa-se haya, mesmo antes de uma expressão plural: Espero que haya plazas — «Espero que haja vagas».

Acentos importantes: dé, mas des, demos, deis, den; esté, estés, estén, mas estemos. Em particular, o português «dê» não autoriza escrever a forma espanhola com circunflexo.

6. A estrutura com «que»

Uma construção muito frequente é expressão de desejo, dúvida, emoção ou pedido + que + subjuntivo. O sujeito, ou seja, a pessoa ou coisa de que se diz algo, pode mudar entre as duas partes:

  • Quiero que descanses. — «Quero que descanses.» Quem quer sou eu; quem descansa és tu.
  • Te pido que esperes. — «Peço-te que esperes.» O pedido é meu; a espera é tua.

Quando a mesma pessoa quer fazer a ação, usa-se normalmente o infinitivo, a forma básica do verbo, como «descansar»: Quiero descansar — «Quero descansar». Para este sentido, não se usa normalmente Quiero que yo descanse.

Mas que não exige subjuntivo por si só. Compare Sé que viene — «Sei que vem» — com Dudo que venga — «Duvido que venha». A escolha depende do sentido da expressão que introduz a segunda parte.

Exemplos em contexto

As frases seguintes mostram usos quotidianos. Observe tanto a forma verbal como o motivo que leva ao subjuntivo.

Espanhol Português Observação
Quiero que vengas. Quero que venhas. Desejo dirigido a outra pessoa.
Espero que estés bien. Espero que estejas bem. Esperança sobre uma situação atual.
Es importante que estudies. É importante que estudes. Avaliação da importância de uma ação.
Dudo que sea verdad. Duvido que seja verdade. Dúvida.
Me alegra que tengas más tiempo libre. Fico contente por teres mais tempo livre. Reação emocional a uma situação.
Te recomiendo que salgas con tiempo. Recomendo-te que saias com antecedência. Recomendação.
Es posible que haya retrasos. É possível que haja atrasos. Possibilidade; haya é singular.
No creo que sepan la dirección. Não creio que saibam a morada. Opinião negada.
Ojalá encontremos una mesa libre. Tomara que encontremos uma mesa livre. Desejo com ojalá.
Te dejo las llaves para que puedas entrar. Deixo-te as chaves para que possas entrar. Finalidade.
Cuando llegues, avísame. Quando chegares, avisa-me. Ação futura depois de cuando.
Busco un piso que tenga ascensor. Procuro um apartamento que tenha elevador. Característica desejada, sem apartamento identificado.
No abras la ventana, por favor. Não abras a janela, por favor. Ordem negativa.
Aunque llueva, iremos al mercado. Mesmo que chova, iremos ao mercado. A chuva é apresentada como possibilidade que não altera o plano.

Erros comuns

1. Usar indicativo depois de um desejo

  • Incorreto: Quiero que vienes mañana.
  • Correto: Quiero que vengas mañana. — «Quero que venhas amanhã.»
  • Porquê: a segunda ação é desejada, não simplesmente afirmada. Além disso, a forma deriva de vengo, não de vienes.

2. Usar indicativo depois de «cuando» com sentido futuro

  • Incorreto: Cuando llega mañana, hablamos.
  • Correto: Cuando llegue mañana, hablamos. — «Quando ele chegar amanhã, falamos.»
  • Porquê: para uma chegada futura ainda não realizada, o espanhol corrente usa presente do subjuntivo depois de cuando. Para um hábito, o indicativo seria adequado: Cuando llega, siempre llama — «Quando chega, telefona sempre».

3. Tratar todas as formas como se tivessem a mesma mudança de vogal

  • Incorreto: Espero que duermamos bien.
  • Correto: Espero que durmamos bien. — «Espero que durmamos bem.»
  • Porquê: dormir tem duerma, mas durmamos. Por outro lado, «voltemos» corresponde a volvamos, não a vuelvamos.

4. Usar subjuntivo só porque aparece «que»

  • Incorreto, para afirmar conhecimento: Sé que tengas razón.
  • Correto: Sé que tienes razón. — «Sei que tens razão.»
  • Porquê: sé que apresenta uma informação como conhecida. Já No creo que tengas razón — «Não creio que tenhas razão» — pede normalmente subjuntivo.

5. Copiar formas portuguesas semelhantes

  • Incorreto: Espero que sejas feliz.
  • Correto: Espero que seas feliz. — «Espero que sejas feliz.»
  • Porquê: o sentido coincide, mas a forma espanhola é seas. O mesmo cuidado vale para vaya, «vá», e sepa, «saiba».

6. Colocar o presente do subjuntivo depois do «si» condicional

  • Incorreto: Si tengas tiempo mañana, llámame.
  • Correto: Si tienes tiempo mañana, llámame. — «Se tiveres tempo amanhã, telefona-me.»
  • Porquê: numa condição aberta, vista como possível, o espanhol usa presente do indicativo depois de si, mesmo com referência ao futuro. A construção portuguesa com futuro do subjuntivo não se copia para espanhol.

Notas de uso

Não é uma forma reservada à escrita formal

O presente do subjuntivo aparece constantemente em conversas: desejos, conselhos, recados, combinações e preocupações. Que te vaya bien — «Que te corra tudo bem» — é uma despedida corrente. Que descanses — «Descansa bem» — expressa um desejo sem precisar de uma frase inicial como «Espero que...».

Ojalá também pode aparecer com ou sem que: Ojalá venga e Ojalá que venga significam «Tomara que venha». Não é preciso acrescentar outro verbo de desejo.

Tratamento e diferenças regionais

Em grande parte de Espanha, vosotros é o plural informal, enquanto ustedes se usa no tratamento formal. Na América Hispânica, ustedes é o plural habitual tanto em situações informais como formais: Espero que vengan — «Espero que vocês venham».

Nas regiões que usam vos, tratamento informal singular em vez de tú, o subjuntivo apresenta variação regional. Podem ouvir-se formas como vengas ou vengás, ambas com o sentido de «venhas». Para começar, as formas de tú da tabela constituem uma base ampla; depois, vale a pena seguir o padrão da região com que se tem contacto.

Ordens e pedidos

O imperativo, o modo usado para dar ordens ou instruções diretas, partilha várias formas com o subjuntivo. As ordens negativas usam presente do subjuntivo: No hables tan alto — «Não fales tão alto». Nos pedidos afirmativos com usted, também se encontram estas formas: Pase, por favor — «Entre, por favor». Já a ordem afirmativa com tú pode ser diferente: Habla — «Fala».

Para ir além do básico

Presente na forma, futuro no sentido

O nome «presente» não limita este tempo ao momento atual. Espero que venga mañana significa «Espero que venha amanhã». O verbo inicial está no presente, e a ação desejada é futura.

O espanhol conserva um futuro do subjuntivo em textos jurídicos e fórmulas tradicionais, mas não o usa como o português na conversa habitual. Guarde estas três correspondências:

Português Espanhol corrente Escolha verbal
Quando tiveres tempo, escreve-me. Cuando tengas tiempo, escríbeme. Subjuntivo depois de cuando com sentido futuro.
Se tiveres tempo, escreve-me. Si tienes tiempo, escríbeme. Indicativo depois de si numa condição aberta.
Faz como quiseres. Hazlo como quieras. Subjuntivo porque a maneira fica em aberto.

Não há, portanto, uma única tradução para o futuro do subjuntivo português: a construção completa determina a escolha.

Existência conhecida ou característica procurada

Uma oração relativa é uma parte da frase que descreve alguém ou alguma coisa, muitas vezes começando por «que». A escolha do modo pode mudar o que se comunica:

  • Tengo una compañera que habla japonés. — «Tenho uma colega que fala japonês.» Trata-se de alguém identificado.
  • Necesito una compañera que hable japonés. — «Preciso de uma colega que fale japonês.» A característica é procurada; não se identifica uma pessoa concreta.

O subjuntivo não significa que essa pessoa não existe. Significa que a frase não apresenta uma pessoa concreta como já identificada. Com inexistência explícita, também é natural: No hay nadie que sepa la contraseña — «Não há ninguém que saiba a palavra-passe».

«Aunque», «quizá» e a atitude de quem fala

Com aunque, o indicativo costuma apresentar um facto reconhecido: Aunque está cansada, sigue trabajando — «Embora esteja cansada, continua a trabalhar». O subjuntivo pode apresentar uma hipótese: Aunque esté cansada mañana, irá — «Mesmo que esteja cansada amanhã, irá». Repare que o português usa subjuntivo depois de «embora» mesmo quando se trata de um facto; não se deve copiar esse modo automaticamente.

Em contextos mais avançados, aunque com subjuntivo também pode retomar um facto conhecido, tratando-o como irrelevante para a conclusão. Por isso, «indicativo = verdade» e «subjuntivo = dúvida» não é uma regra universal.

Com quizá, quizás ou tal vez, que significam «talvez», podem surgir os dois modos. Quizá viene mañana e Quizá venga mañana podem traduzir-se por «Talvez venha amanhã»; o subjuntivo tende a deixar a possibilidade menos afirmada. Com a lo mejor, «se calhar», é habitual o indicativo: A lo mejor viene mañana — «Se calhar vem amanhã».

Finalidade, tempo e condição

Aprenda algumas expressões como unidades: para que — «para que» —, antes de que — «antes que» — e a menos que — «a menos que» — pedem subjuntivo nos seus usos habituais. Te llamaré antes de que salgas significa «Vou telefonar-te antes de saíres».

Outras dependem do contexto. Cuando, hasta que — «até que» — e en cuanto — «assim que» — usam subjuntivo para acontecimentos futuros ainda não realizados, mas indicativo em relatos de hábitos ou factos. Espero aquí hasta que vuelvas — «Espero aqui até voltares» — contrasta com Siempre espero hasta que vuelve — «Espero sempre até ele voltar».

Relação com outros tempos do subjuntivo

Se a expressão inicial passa para o passado, o espanhol usa normalmente o imperfeito do subjuntivo para a ação desejada: Quería que vinieras — «Queria que viesses». O presente vengas não serve como substituto geral em narrativas passadas.

Para uma ação já concluída em relação ao presente, usa-se frequentemente haya + particípio; o particípio é uma forma como «chegado» ou «feito». Espero que haya llegado significa «Espero que tenha chegado». Compare com Espero que llegue — «Espero que chegue»: a chegada ainda está por acontecer. Estas distinções pertencem a etapas posteriores, mas ajudam a perceber os limites do presente simples.

Dicas para praticar

  1. Treine conjuntos a partir de yo. Escreva cinco sequências por dia: tengo → tenga → tengamos, «tenho → tenha → tenhamos»; duermo → duerma → durmamos, «durmo → durma → durmamos». Inclua sempre a forma de nós, onde aparecem muitas diferenças.
  2. Alterne informação e atitude. Parta de Viene mañana — «Vem amanhã» — e construa Espero que venga mañana — «Espero que venha amanhã» — e No creo que venga mañana — «Não creio que venha amanhã». Explique em voz alta o que mudou no sentido, não apenas na terminação.
  3. Traduza pequenos planos do português. Use pares como «quando tiver tempo» e «se tiver tempo». Confira se produziu cuando tenga tiempo e si tengo tiempo. Este contraste corrige uma interferência muito comum entre as duas línguas.

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