B2

Imperfeito do subjuntivo em espanhol

Subjuntivo Imperfecto

Este artigo faz parte da árvore gramatical de espanhol no Settemila Lingue.

Em poucas palavras

O imperfeito do subjuntivo espanhol tem duas séries de formas, geralmente equivalentes: cantara/cantase, comiera/comiese, viniera/viniese. Forma-se a partir da forma de ellos no passado simples: vinieron → viniera. Aparece em pedidos e desejos apresentados no passado, como Quería que vinieras — “Queria que você viesse” —, mas também em hipóteses sobre o presente: Si pudiera, lo haría — “Se pudesse, faria isso”.

Visão geral

O subjuntivo, também chamado conjuntivo em Portugal, é o modo verbal usado, entre outros contextos, para apresentar desejos, avaliações, dúvidas ou situações imaginadas, em vez de simplesmente afirmar um fato. O imperfeito desse modo é um dos pontos centrais do nível B2 em espanhol. Ele permite contar o que alguém queria, formular condições pouco prováveis e falar de uma realidade diferente da atual.

Quem fala português já tem uma boa referência: “queria que viesse”, “se pudesse”, “como se fosse”. A lógica de muitas dessas construções coincide nas duas línguas. A principal novidade é que o espanhol oferece duas séries de terminações: -ra e -se. Em muitos contextos, fuera e fuese correspondem ambos a “fosse”. Não associe automaticamente o espanhol cantara ao português “cantara”: embora pareçam iguais, o uso mais comum da forma espanhola aqui corresponde a “cantasse”.

Apesar do nome imperfeito, o tempo de que se fala não precisa ser passado. Em Ojalá estuvieras aquí — “Quem me dera que você estivesse aqui” —, o desejo pode dizer respeito ao momento atual. Por isso, vale aprender a forma junto com a construção que a acompanha, e não apenas como mais uma maneira de falar do passado.

Como funciona

1. Partir de uma forma do passado simples

Para formar o imperfeito do subjuntivo, use a terceira pessoa do plural — a forma de ellos/ellas/ustedes — do pretérito indefinido ou pretérito perfecto simple, o passado que apresenta acontecimentos concluídos, como hablaron (“falaram”).

  1. Encontre essa forma: hablaron, comieron, vivieron.
  2. Retire -ron: habla-, comie-, vivie-.
  3. Acrescente uma das duas séries de terminações.
Pessoa Série em -ra Série em -se
Eu -ra -se
Tu -ras -ses
Ele, ela, tratamento formal singular -ra -se
Nós -ramos -semos
Vós, plural informal usado sobretudo em Espanha -rais -seis
Eles, elas, vocês -ran -sen

Na forma de nosotros/nosotras, há um acento escrito na vogal que vem antes da terminação: habláramos, comiéramos, viviésemos. Esse acento conserva a posição da sílaba forte.

2. Conjugação completa dos verbos regulares

O infinitivo é a forma usada para nomear o verbo, como hablar (“falar”), comer (“comer”) ou vivir (“viver”). Estes três modelos mostram como as terminações se combinam com cada grupo.

Pessoa hablar — falar comer — comer vivir — viver
yo hablara / hablase comiera / comiese viviera / viviese
tú hablaras / hablases comieras / comieses vivieras / vivieses
él / ella / usted hablara / hablase comiera / comiese viviera / viviese
nosotros / nosotras habláramos / hablásemos comiéramos / comiésemos viviéramos / viviésemos
vosotros / vosotras hablarais / hablaseis comierais / comieseis vivierais / vivieseis
ellos / ellas / ustedes hablaran / hablasen comieran / comiesen vivieran / viviesen

Yo hablara significa “eu falasse”; nosotros comiésemos, “nós comêssemos”; ustedes vivieran, “vocês vivessem”. Usted dirige-se a uma pessoa, mas usa a forma de él/ella. Ustedes dirige-se a várias pessoas e usa a forma de ellos/ellas; na América hispânica, é a forma habitual de tratamento plural, mesmo sem formalidade.

3. Os irregulares seguem a mesma receita

Não se parte diretamente do infinitivo. É a forma do passado simples que fornece a base, isto é, a parte à qual se juntam as terminações. Assim, as mudanças de tuvieron, pudieron e dijeron passam para tuviera, pudiera e dijera.

Verbo Significado Passado com ellos Imperfeito com yo
tener ter tuvieron tuviera / tuviese
estar estar estuvieron estuviera / estuviese
poder poder pudieron pudiera / pudiese
querer querer quisieron quisiera / quisiese
hacer fazer hicieron hiciera / hiciese
decir dizer dijeron dijera / dijese
traer trazer trajeron trajera / trajese
venir vir vinieron viniera / viniese
saber saber supieron supiera / supiese
poner pôr, colocar pusieron pusiera / pusiese
ser / ir ser / ir fueron fuera / fuese
dormir dormir durmieron durmiera / durmiese
pedir pedir pidieron pidiera / pidiese

As demais pessoas seguem as terminações regulares: tuvieras, tuviéramos, tuvierais, tuvieran, por exemplo. Ser e ir têm as mesmas formas; o contexto indica o verbo: si fuera médico — “se fosse médico”; si fuera a Madrid — “se fosse a Madrid”.

4. Depois de desejos, pedidos e avaliações no passado

Uma oração é uma parte da frase organizada em torno de um verbo. Quando a oração principal apresenta no passado uma vontade, uma ordem, uma dúvida ou uma avaliação, a parte introduzida por que frequentemente leva o imperfeito do subjuntivo:

  • Quería que vinieras. — Queria que você viesse.
  • Le pedí que cerrara la puerta. — Pedi-lhe que fechasse a porta.
  • Era importante que todos entendieran el problema. — Era importante que todos entendessem o problema.

O verbo no subjuntivo não afirma, por si só, que o desejo se realizou. A primeira frase não diz se a pessoa veio ou não. Na terceira, todos podem ter entendido o problema: o subjuntivo também apresenta avaliações sobre fatos reais, não apenas acontecimentos incertos.

Se a mesma pessoa quer e executa a ação, normalmente se usa o infinitivo: Quería descansar — “Queria descansar”. Compare com Quería que descansaras — “Queria que você descansasse”. Aqui, quem queria e quem descansaria são pessoas diferentes.

Também é comum encontrar o imperfeito depois de um condicional, forma como gustaría, que apresenta um desejo ou uma possibilidade: Me gustaría que vinieras mañana — “Gostaria que você viesse amanhã”.

5. Nas condições imaginadas com si

Para imaginar uma situação distante da realidade ou considerada pouco provável, o padrão mais útil é:

Si + imperfeito do subjuntivo, condicional.

  • Si tuviera más tiempo, estudiaría italiano. — Se tivesse mais tempo, estudaria italiano.
  • Si vivieras cerca, nos veríamos más. — Se você morasse perto, nós nos veríamos mais.

O condicional, chamado também futuro do pretérito no Brasil, apresenta a consequência imaginada: estudiaría (“estudaria”), veríamos (“veríamos”). Não se coloca esse tempo na parte introduzida por si nesse padrão.

É importante distinguir a hipótese distante de uma condição aberta, vista como possível:

  • Si tengo tiempo, te llamo. — Se eu tiver tempo, telefono para você.
  • Si tuviera tiempo, te llamaría. — Se eu tivesse tempo, telefonaria para você.

Na primeira frase, o português usa “tiver”, futuro do subjuntivo, forma que apresenta uma possibilidade futura. O espanhol atual normalmente usa tengo, presente do indicativo, nessa condição. Não substitua todo “se tiver” português por si tuviera: isso pode mudar o grau de possibilidade que se quer transmitir.

6. Com ojalá e como si

Ojalá expressa um desejo e pode aparecer com ou sem que. Com o imperfeito do subjuntivo, costuma apresentar algo difícil, distante ou contrário à situação atual:

  • Ojalá estuvieras aquí. — Quem me dera que você estivesse aqui.
  • Ojalá no tuviera que trabajar mañana. — Quem me dera não ter de trabalhar amanhã.

Como si introduz uma comparação imaginada:

  • Habla como si fuera el jefe. — Fala como se fosse o chefe.
  • Me miró como si no me conociera. — Olhou para mim como se não me conhecesse.

Assim como em português, a comparação não equivale a uma afirmação direta. Alguém pode falar com autoridade sem ser o chefe.

Exemplos em contexto

As traduções abaixo usam sobretudo “você”; quando o espanhol traz tú, o português também poderia usar “tu”, com a conjugação correspondente.

Espanhol Português O que observar
Quería que vinieras. Queria que você viesse. Desejo apresentado no passado.
Nos pidieron que esperásemos fuera. Pediram-nos que esperássemos lá fora. Pedido; forma em -se e acento em nós.
Me sorprendió que supieras mi nombre. Surpreendeu-me que você soubesse o meu nome. Reação a algo que pode ser um fato.
No creía que fuera tan caro. Não achava que fosse tão caro. Crença negada no passado.
Buscábamos un piso que tuviera ascensor. Procurávamos um apartamento que tivesse elevador. Procura sem identificar um apartamento concreto.
Si pudiera, lo haría. Se pudesse, faria isso. Condição imaginada e sua consequência.
Si saliéramos ahora, llegaríamos a tiempo. Se saíssemos agora, chegaríamos a tempo. Hipótese sobre uma decisão atual.
Ojalá estuvieras aquí. Quem me dera que você estivesse aqui. Desejo contrário à situação presente.
Ojalá no lloviese mañana. Quem me dera que não chovesse amanhã. Desejo sobre o futuro, visto como difícil.
Lo contaba como si fuera verdad. Contava aquilo como se fosse verdade. Comparação imaginada.
Me gustaría que me avisaras antes. Gostaria que você me avisasse antes. Desejo formulado de maneira cortês.
Cerró la ventana para que no entrara frío. Fechou a janela para que não entrasse frio. Finalidade de uma ação passada.
Me dijo que la llamara al llegar. Disse-me que lhe telefonasse ao chegar. Instrução transmitida por outra pessoa.
Aunque fuera gratis, no lo aceptaría. Mesmo que fosse de graça, não aceitaria. Hipótese que não mudaria a decisão.

Erros comuns

1. Usar o condicional depois de si

  • Incorreto: Si tendría dinero, viajaría más.
  • Correto: Si tuviera dinero, viajaría más. — Se tivesse dinheiro, viajaria mais.
  • Por quê: nessa hipótese, si pede o imperfeito do subjuntivo; o condicional fica na consequência. Também se pode dizer si tuviese dinero.

2. Tratar -ra como o mais-que-perfeito português

  • Incorreto, para dizer “queria que você cantasse”: Quería que habías cantado.
  • Correto: Quería que cantaras. — Queria que você cantasse.
  • Por quê: o espanhol cantaras é normalmente subjuntivo aqui, não uma maneira de dizer “você tinha cantado”. A semelhança com “cantara” em português pode induzir em erro. A forma espanhola também equivalente neste contexto é cantases.

3. Formar o irregular a partir do infinitivo

  • Incorreto: Esperaba que venieras.
  • Correto: Esperaba que vinieras. — Esperava que você viesse.
  • Por quê: a base vem de vinieron, não de venir. Pelo mesmo motivo, usa-se pudiera a partir de pudieron e durmiera a partir de durmieron.

4. Esquecer o acento na forma de nós

  • Incorreto: Nos pidieron que hablaramos más bajo.
  • Correto: Nos pidieron que habláramos más bajo. — Pediram-nos que falássemos mais baixo.
  • Por quê: a sílaba forte exige o acento escrito em habláramos. A regra vale também para hablásemos, tuviéramos e fuésemos.

5. Fazer a concordância com o passado sem considerar o sentido

  • Incorreto, para relatar um fato: Ayer comprobé que la tienda estuviera cerrada.
  • Correto: Ayer comprobé que la tienda estaba cerrada. — Ontem confirmei que a loja estava fechada.
  • Por quê: não basta haver um verbo no passado. Quando se relata uma constatação, usa-se normalmente o indicativo, modo que apresenta a informação como afirmação. Compare com Quería que la tienda estuviera abierta — “Queria que a loja estivesse aberta”: aqui há um desejo.

6. Copiar o infinitivo pessoal português

  • Incorreto: Era mejor para nosotros saliéremos temprano.
  • Correto: Era mejor que saliéramos temprano. — Era melhor sairmos cedo.
  • Por quê: o espanhol não tem o infinitivo pessoal produtivo do português, como “sairmos”. Pode usar que com subjuntivo para indicar quem deve agir. Se essa indicação já estiver clara, também cabe Era mejor salir temprano — “Era melhor sair cedo”.

Notas de uso

Qual série escolher: -ra ou -se?

Nos usos centrais deste artigo, as duas séries são corretas: Quería que vinieras e Quería que vinieses significam “Queria que você viesse”. Não existe uma diferença geral de tempo ou de grau de dúvida entre elas.

As formas em -ra são mais frequentes no conjunto do espanhol atual, especialmente em grande parte da América hispânica. As formas em -se continuam vivas, com frequência variável conforme a região e o falante, e também aparecem na escrita cuidada. Não são simplesmente “formas antigas” ou “formas sempre formais”. Para começar a produzir frases, é prático consolidar uma série, reconhecendo ambas na leitura e na escuta.

O imperfeito não mede a distância no tempo

Compare Me gustaría que vinieras hoy — “Gostaria que você viesse hoje” — com Me pidió que viniera al día siguiente — “Pediu-me que viesse no dia seguinte”. No primeiro caso, a referência é hoje; no segundo, a chegada é posterior ao pedido. O nome do tempo não significa que a ação tenha de ocorrer antes do momento em que se fala.

Um pedido não é uma informação

A diferença entre modo indicativo e subjuntivo pode mudar o sentido do relato:

  • Me dijo que venía. — Disse-me que vinha. Transmitiu uma informação.
  • Me dijo que viniera. — Disse-me que viesse. Transmitiu uma instrução ou convite.

Essa oposição é particularmente útil porque o português dispõe de um contraste semelhante. Ao ler dijo que, procure saber se a pessoa informou algo ou pediu uma ação.

Para ir além do básico

Ação anterior: quando usar o mais-que-perfeito do subjuntivo

O imperfeito simples não é a forma habitual para marcar uma ação já concluída antes de outro momento passado. Para isso, usa-se o mais-que-perfeito do subjuntivo, formado com hubiera/hubiese e um particípio, forma como terminado ou hecho:

  • Esperaba que terminaras el informe ese día. — Esperava que você terminasse o relatório naquele dia.
  • Esperaba que ya hubieras terminado el informe. — Esperava que você já tivesse terminado o relatório.

Na segunda frase, a conclusão do relatório deveria ser anterior ao momento de referência. A mesma distinção aparece entre hipóteses sobre o presente e hipóteses sobre um passado que já não pode mudar:

  • Si tuviera tiempo, te ayudaría. — Se tivesse tempo, ajudaria você.
  • Si hubiera tenido tiempo, te habría ayudado. — Se tivesse tido tempo, teria ajudado você.

Concordância dos tempos sem automatismos

A concordância dos tempos é a relação entre as formas verbais de diferentes partes da frase. A passagem Quiero que vengas → Quería que vinieras corresponde a “Quero que você venha” → “Queria que você viesse”. Esse é um padrão essencial, mas a escolha também depende de como o falante situa o acontecimento.

Se o pedido passado continua válido para o futuro, pode aparecer o presente do subjuntivo: Me pidió que vaya mañana — “Pediu-me que eu vá amanhã”. A preferência por essa manutenção do presente varia entre regiões e contextos. Me pidió que fuera mañana — “Pediu-me que eu fosse amanhã” — continua sendo uma opção normal. Portanto, não conclua que todo presente após um verbo passado é erro.

Elemento procurado e elemento conhecido

O subjuntivo pode ajudar a distinguir uma característica desejada de uma informação sobre algo já identificado:

  • Buscaba un abogado que hablara portugués. — Procurava um advogado que falasse português.
  • Hablé con un abogado que hablaba portugués. — Falei com um advogado que falava português.

Na primeira frase, saber português é um requisito da procura; não se identifica necessariamente uma pessoa concreta. Na segunda, apresenta-se uma característica do advogado com quem se falou. Não é a palavra “advogado” nem o passado de “procurar” que, sozinhos, determinam o subjuntivo.

Cortesia e usos em que -ra e -se não são intercambiáveis

Quisiera hacer una consulta significa “Gostaria de fazer uma consulta”. A forma quisiera suaviza o pedido e pode ocorrer sem um verbo anterior que exija subjuntivo. Querría hacer una consulta também é possível, mas não se deve pressupor que toda forma em -ra possa ser substituída por -se com a mesma naturalidade nesses usos de cortesia. É melhor aprender quisiera como fórmula frequente.

Em textos literários e jornalísticos, há ainda formas em -ra com valor de passado do indicativo: la casa donde viviera de niño pode significar “a casa onde vivera em criança”. Trata-se de um uso marcado, não da regra central ensinada aqui. Nesse valor, a substituição por -se não é equivalente. Essa é uma das razões para dizer que as duas séries são intercambiáveis nos usos habituais de subjuntivo, e não em qualquer frase possível.

Dicas de prática

  1. Treine a ligação com o passado simples. Escreva três formas por verbo: tuvieron → tuviera → tuviese; pidieron → pidiera → pidiese. Depois acrescente a forma de nós, com o acento: tuviéramos, pidiésemos. Isso combate diretamente os erros de formação.
  2. Separe condições abertas de hipóteses distantes. Crie pares com uma situação real da sua vida: Si tengo tiempo, voy — “Se tiver tempo, vou” — e Si tuviera tiempo, iría — “Se tivesse tempo, iria”. Antes de escolher o verbo, decida se apresenta uma possibilidade aberta ou uma realidade imaginada.
  3. Transforme desejos e pedidos curtos. Passe de Quiero que vengas — “Quero que você venha” — para Quería que vinieras — “Queria que você viesse”. Depois acrescente ayer, hoy ou mañana e confira se o tempo da ação continua claro. Alterne algumas frases entre -ra e -se para reconhecer as duas séries sem inventar diferenças de sentido.

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