B2

Frases clivadas em inglês

Cleft Sentences

Este artigo faz parte da árvore gramatical de inglês no Settemila Lingue.

Em resumo

As frases clivadas reorganizam uma mensagem para destacar uma informação: em vez de John broke the window, pode-se dizer It was John who broke the window. Os dois modelos centrais são it + be + elemento destacado + oração relativa e What/All... + be + elemento destacado. A ideia principal não muda; muda o ponto para o qual se dirige a atenção.

Visão geral

O termo cleft sentence significa literalmente “frase dividida”. Uma oração simples é repartida em duas partes para criar foco, isto é, para indicar qual informação deve receber mais atenção. Compare Laura sent the email com It was Laura who sent the email. A segunda frase não apenas relata o envio: ela corrige, confirma ou contrasta quem o fez.

No nível B2, essas estruturas são importantes para explicar contrastes com precisão, corrigir pressupostos e organizar argumentos. Aparecem tanto na conversa — normalmente com forte acento de voz no elemento destacado — quanto em textos jornalísticos, profissionais e académicos. Em português existem construções muito próximas, como “Foi a Laura que enviou o e-mail” e “O que eu preciso é de tempo”; por isso, o sentido costuma ser intuitivo. Ainda assim, a escolha de it, what, who e that, bem como a ordem das palavras, exige atenção.

Neste artigo, oração quer dizer um grupo de palavras organizado em torno de um verbo. Uma oração relativa acrescenta informação sobre uma pessoa ou coisa, geralmente com palavras como who ou that. O sujeito é quem realiza ou vivencia a ação; o objeto é a pessoa ou coisa que recebe essa ação.

Como funciona

1. Frase clivada com it

O modelo mais comum é:

It + forma de be + foco + who/that + restante da mensagem

Frase neutra Frase clivada Elemento destacado
John broke the window. It was John who broke the window. John
Maya ordered the soup. It was the soup that Maya ordered. the soup
We met in Dublin. It was in Dublin that we met. in Dublin
She called on Monday. It was on Monday that she called. on Monday

O it desta estrutura é um sujeito gramatical sem referência concreta. Não significa “isso” nem substitui um objeto mencionado antes. A forma de be situa o contraste no tempo: It is Daniel who handles the accounts fala da situação atual; It was Daniel who called yesterday apresenta o acontecimento no passado.

Para pessoas, who é muito natural: It was Sara who noticed the error. That também é possível e é especialmente comum na fala: It was Sara that noticed the error. Para coisas, momentos, lugares e outras circunstâncias, that é a escolha mais segura: It was the blue folder that I wanted; It was after lunch that they left.

É possível destacar vários tipos de informação:

  • sujeito: It was Nina who found the keys.
  • objeto: It was the keys that Nina found.
  • tempo: It was last night that Nina found them.
  • lugar: It was under the sofa that she found them.
  • motivo ou causa: It was because the door was open that the room got cold.

Quando o elemento destacado é objeto, that pode ser omitido, sobretudo na fala: It was the blue folder I wanted. Quando ele é sujeito da oração seguinte, não se faz essa omissão: It was Nina who found it, e não It was Nina found it.

A negação costuma recair sobre a forma de be: It wasn't Nina who lost the keys; it was Mark. Assim, a frase corrige diretamente uma informação anterior.

2. Pseudoclivada com what

A chamada pseudoclivada começa com uma oração introduzida por what e termina com a informação focalizada:

What + sujeito + verbo + be + foco

  • What I need is a holiday. — O que eu preciso é de férias.
  • What she values most is honesty. — O que ela mais valoriza é a honestidade.
  • What surprised us was the price. — O que nos surpreendeu foi o preço.

Aqui, what significa “aquilo que” ou “o que”; não é uma pergunta. Toda a parte What I need funciona como o sujeito da frase. É comum usar is ou was no singular porque essa parte é entendida como uma única necessidade, ação ou situação.

Se a primeira parte contém o verbo do, o foco pode ser uma ação. Depois de be, usa-se frequentemente o infinitivo (a forma básica do verbo), com ou sem to:

  • What you need to do is rest.
  • What you need to do is to rest.
  • What he did was call the police.

As duas variantes com rest são possíveis; sem to é particularmente comum quando já aparece uma forma de do na oração com what. Sem esse do, o infinitivo com to costuma ser a opção natural: What I want is to rest.

3. Pseudoclivada invertida

Também se pode colocar o foco primeiro:

Foco + be + what + oração

  • A quiet weekend is what I need.
  • Honesty is what she values most.
  • A refund was what they expected.

A versão invertida começa diretamente pelo tema que se quer apresentar e depois o identifica. É útil quando esse elemento já está em discussão. Compare: What I need is a quiet weekend conduz o ouvinte até a resposta; A quiet weekend is what I need põe a resposta em primeiro plano desde o início.

4. Estruturas com all, the thing, the person e the reason

All forma uma estrutura semelhante a what e significa “tudo o que” ou, conforme o contexto, “a única coisa que”:

  • All I want is peace.
  • All we need is a little more time.
  • All she did was ask a question.

Também se pode nomear explicitamente a categoria da informação:

Estrutura Uso típico Exemplo
The thing that... is... coisa, facto ou ação The thing that worries me is the cost.
The person who... is... pessoa The person who helped most was Elena.
The place where... is... lugar The place where we first met is now a café.
The reason (why)... is... motivo The reason I'm here is to help.

Esses modelos são mais explícitos do que a construção com what. Podem facilitar a compreensão quando a frase é longa ou quando se deseja identificar claramente se o foco é uma pessoa, um lugar ou um motivo.

Exemplos em contexto

Inglês Português Observação
It was John who broke the window. Foi o John que partiu a janela. Destaque do sujeito e correção de quem praticou a ação.
It wasn't the price that bothered me; it was the poor service. Não foi o preço que me incomodou; foi o mau atendimento. Contraste explícito entre duas causas possíveis.
It was this report that the director wanted. Era este relatório que o diretor queria. Destaque do objeto.
It was in the kitchen that I found my phone. Foi na cozinha que encontrei o telemóvel. Destaque do lugar.
It was only after the meeting that I understood the problem. Só depois da reunião é que compreendi o problema. Destaque do momento; only reforça a limitação.
It is because we trust you that we're telling you this. É porque confiamos em si que lhe estamos a contar isto. Destaque da causa.
What I need is a holiday. O que eu preciso é de férias. Pseudoclivada com uma necessidade como foco.
What I admire about her is her patience. O que admiro nela é a sua paciência. O foco identifica uma qualidade.
What happened next was completely unexpected. O que aconteceu a seguir foi totalmente inesperado. A oração com what refere-se a um acontecimento.
What you should do is back up your files. O que deve fazer é criar uma cópia de segurança dos ficheiros. Foco numa ação; infinitivo sem to depois de do.
A few days off is what he really needs. Uns dias de folga é aquilo de que ele realmente precisa. Pseudoclivada invertida.
All I want is peace. Tudo o que eu quero é paz. All limita o desejo a uma única coisa.
All she did was point out a risk. Tudo o que ela fez foi chamar a atenção para um risco. A estrutura minimiza o alcance da ação.
The reason I'm here is to help. A razão pela qual estou aqui é ajudar. O foco explica a finalidade da presença.
The person who deserves the credit is Aisha. A pessoa que merece o reconhecimento é a Aisha. Identificação explícita de uma pessoa.

Erros frequentes

1. Omitir it na construção clivada

  • Incorreto: Was Maria who sent the message.
  • Correto: It was Maria who sent the message.
  • Porquê: o inglês exige o sujeito gramatical it. A possibilidade de dizer “Foi a Maria que...” em português sem pronome expresso não se transfere para o inglês.

2. Tratar what como se fosse apenas uma conjunção

  • Incorreto: What that I need is more time.
  • Correto: What I need is more time.
  • Porquê: what já reúne as ideias de “aquilo” e “que”. Não se acrescenta that depois dele.

3. Usar of por influência de “precisar de”

  • Incorreto: What I need of is a break.
  • Correto: What I need is a break.
  • Porquê: em inglês, need recebe o objeto diretamente. Embora se diga “preciso de uma pausa”, não se usa of neste caso.

4. Omitir o pronome relativo quando ele é sujeito

  • Incorreto: It was Jake fixed the computer.
  • Correto: It was Jake who fixed the computer.
  • Porquê: who é o sujeito de fixed e não pode desaparecer. A omissão só é possível quando o pronome seria objeto: It was Jake (that) I called.

5. Usar what depois de um nome já expresso

  • Incorreto: The thing what worries me is the deadline.
  • Correto: The thing that worries me is the deadline.
  • Porquê: depois de the thing, usa-se that ou, em certos contextos, which. What já contém o sentido de “a coisa que” e não acompanha esse nome.

6. Criar uma construção redundante com reason

  • Menos recomendável em escrita cuidada: The reason I'm here is because I want to help.
  • Mais direto: The reason I'm here is that I want to help.
  • Também possível: I'm here because I want to help.
  • Porquê: reason e because exprimem ambos a relação de causa. A combinação é comum na fala e não impede a compreensão, mas muitos contextos formais preferem the reason... is that... ou uma frase simples com because.

Notas de uso

Uma frase clivada precisa de uma razão comunicativa. Se nada está a ser contrastado, corrigido ou identificado, uma frase neutra costuma soar mais simples. It was at nine o'clock that I had breakfast é gramatical, mas, sem contraste com outro horário, I had breakfast at nine o'clock é mais natural.

Na fala, o foco recebe o acento principal: It was JOHN who called, não outra pessoa. Na escrita, o contexto cria esse contraste; não é necessário usar maiúsculas ou negrito. As clivadas com it podem soar firmes ou corretivas, enquanto as pseudoclivadas com what frequentemente criam uma apresentação gradual: primeiro abre-se uma lacuna — What we need... — e depois fornece-se a resposta — ...is a better plan.

Em português europeu, “é que” aparece em frases como “Só depois é que percebi”. Em inglês, não se deve acrescentar uma tradução isolada de “é que”; reestrutura-se a frase inteira: It was only later that I realised. Em português do Brasil, construções como “Foi só depois que percebi” aproximam-se ainda mais do modelo inglês, mas o it continua obrigatório em inglês.

As contrações são normais na conversa: It's Anna who deals with bookings e That's what I meant. Em escrita formal, formas não contraídas podem dar mais peso ao contraste, mas não são obrigatórias.

Para além do essencial: usos avançados

Perguntas clivadas

A estrutura pode procurar ou confirmar a informação focalizada:

  • Was it Leo who recommended this restaurant? — Foi o Leo que recomendou este restaurante?
  • Who was it that recommended this restaurant? — Quem foi que recomendou este restaurante?
  • What is it that you actually want? — O que é que realmente quer?

A sequência Who was it that...? é frequente quando o falante não ouviu, não se lembra ou deseja uma identificação precisa. What is it that...? pode soar mais insistente do que a pergunta simples What do you want?.

Concordância depois de who

Quando o foco é plural, o verbo da oração relativa também costuma ser plural: It was John and Maya who were waiting outside. Com pronomes pessoais, o uso varia conforme o grau de formalidade. A forma cuidadosamente concordada é It is I who am responsible, mas ela soa muito formal para grande parte dos falantes. Na conversa, é muito mais natural ouvir It's me who's responsible. Para falar com naturalidade, convém aprender a expressão inteira de acordo com o registo, em vez de combinar metade da versão formal com metade da coloquial.

Concordância em pseudoclivadas

Em What I need is two more days, o singular is é muito comum porque What I need é visto como uma única resposta à pergunta implícita. Também se encontra concordância com um complemento plural, sobretudo em frases como What we need are clearer rules. Há variação real: numa frase formal, escolha a versão que mantém a leitura clara e seja coerente ao longo do texto. Reformular para We need clearer rules também evita uma ênfase desnecessária.

Foco exclusivo e efeito retórico

Palavras como only, just e even tornam o contraste mais preciso:

  • It was only when I reread the email that I noticed the date.
  • All he did was offer a suggestion.
  • What even the experts missed was a tiny calculation error.

All he did was... pode minimizar uma ação, às vezes para defender alguém. Já What really matters is... orienta explicitamente um argumento e é muito útil em apresentações e textos persuasivos. Como qualquer recurso de ênfase, perde força se aparecer em quase todas as frases.

Clivada ou oração relativa comum?

Nem toda frase com it is ou what é clivada. Em I bought the book that you recommended, a oração relativa apenas identifica o livro. Em It was the book that you recommended that I bought, toda a estrutura destaca qual livro foi comprado. Da mesma forma, I don't know what she bought é uma pergunta indireta; What she bought was a first edition identifica o objeto e constitui uma pseudoclivada.

Dicas de prática

  1. Transforme a mesma frase quatro vezes. Comece com Sam sent the contract on Friday e destaque sucessivamente Sam, the contract e on Friday. Depois crie uma pseudoclivada: What Sam sent on Friday was the contract. Isso ajuda a perceber que a informação central permanece, mas o foco muda.
  2. Crie pares de correção. Escreva uma suposição e corrija-a: Was it Emma who booked the room? — No, it was Luis who booked it. As clivadas tornam-se mais naturais quando há um contraste real.
  3. Escute o acento de voz. Em entrevistas, debates e apresentações em inglês, anote exemplos de What matters is..., The reason... is... e It was... that.... Repita-os dando maior destaque oral à informação depois de be.

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Orações relativas com *where*, *when* e *whose* em inglêsB1

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